Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

MVNOs ganham escala com avanço do mercado de IoT no Brasil

O avanço das conexões de Internet das Coisas (IoT) tem ampliado o espaço das operadoras móveis virtuais no mercado brasileiro. Dados da Anatel mostram que o País chegou a 57,9 milhões de acessos de IoT em junho, após adicionar mais de 1 milhão de conexões no mês.

O crescimento também aparece nas bases de empresas especializadas nesse segmento. A Eseye, por exemplo, passou de 603,5 mil para 993,8 mil acessos no Brasil entre junho de 2025 e junho deste ano, alta de 64,7%.

Segundo a empresa, o crescimento no período colocou a Eseye como maior operadora móvel virtual (MVNO) credenciada especializada em IoT (a marca não leva em conta as chamadas MVNOs autorizadas).

“O crescimento da nossa base no Brasil mostra que o mercado está amadurecendo e valorizando cada vez mais conectividade IoT com visão estratégica de operação, e não apenas de habilitação técnica”, afirmou a CEO da Eseye para a América Latina, Ana Carolina Bussab.

“IoT deixou de ser apenas uma camada técnica e passou a ocupar uma função cada vez mais estratégica na operação dos clientes”, prosseguiu. Na avaliação da Eseye, o aumento da demanda também está relacionado ao perfil dos projetos contratados pelas empresas.

“Elas [as contratantes] já não buscam apenas um chip ou uma linha de dados. Elas buscam continuidade operacional, previsibilidade de desempenho e capacidade de escalar projetos em ambientes muitas vezes distribuídos, críticos e heterogêneos”.

Regulação
“O Brasil tem um dos potenciais mais ricos para a adoção de IoT na América Latina, impulsionado por setores como agronegócio, logística, utilities e meios de pagamento”, concordou o diretor-geral da Emnify no Brasil e vice-presidente de vendas para a América Latina, Carlos Campos. A MVNO autorizada tinha 243 mil acessos no Brasil em junho.

Apesar da expansão, empresas do setor apontam entraves regulatórios e operacionais para ampliar projetos de IoT. Entre os desafios citados pela operadora móvel virtual Emnify estão as regras relacionadas ao roaming permanente, a homologação de dispositivos e a necessidade de integração entre diferentes redes.

“Escalar de verdade vai muito além de colocar um chip em campo […] O desafio central está em harmonizar rigorosos critérios técnicos locais com a necessidade de uma operação fluida e sem atritos entre as diferentes redes da região”, disse Campos.

A Eseye, por sua vez, destacou a importância de soluções capazes de operar com escala, resiliência e aderência ao “contexto regulatório” de cada projeto.

Concentração
Na semana passada, a Arqia também anunciou a compra da operação de IoT da Algar, que até então operava com rede própria em sua área de autorização. Com a operação, a Arqia, que também é uma MVNO, deve migrar os clientes da Algar para a sua própria rede, dando origem a uma operadora MVNO focada no segmento de IoT com nada menos do que 8 milhões de clientes.

Adoção corporativa
Outra tendência na indústria de IoT é a criação de ecossistemas mais abertos e interoperáveis, possíveis graças a tecnologias como eSIM IoT (SGP.32).

“O mercado brasileiro de IoT não busca mais apenas cobertura de sinal, mas eficiência de arquitetura”, concluiu Carlos Campos. “A verdadeira virada de chave no Brasil e na América Latina virá da capacidade das empresas de substituir infraestruturas físicas rígidas por modelos orientados a software, capazes de acompanhar o ritmo acelerado das demandas corporativas.”

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