Segunda-feira, 21 de Setembro de 2026

Anatel define regras para soluções anti-spam entre operadoras

As antenas deixaram de ser commodity nas redes de telefonia celular e terão um papel determinante no serviço das operadoras móveis diante do aumento do tráfego uplink decorrente de aplicações de inteligência artificial. Essa é a opinião de Rodrigo Goulart, vice-presidente para as Américas da Ericsson Antenna System, divisão de antenas da Ericsson.

“Dez anos atrás, as antenas não eram tão relevantes. A operadora escolhia a mais barata. As antenas eram consideradas commodities. Mas isso mudou, as coisas evoluíram. As antenas estão se tornando o gateway, o habilitador físico da inteligência artificial”, comenta Goulart, em entrevista para o Mobile Time.

O tráfego móvel vai dobrar no mundo até 2031, puxado principalmente pelo uplink, que vai crescer três vezes no mesmo período, em razão do surgimento de novas aplicações de IA física em vários dispositivos conectados. O problema é que as redes atuais estão configuradas para dedicar aproximadamente 85% da sua capacidade para o downlink e apenas 15% para o uplink. Nesse cenário, o uso de antenas com melhor performance pode fazer uma diferença significativa na qualidade do serviço.

Antenas: eficiência do sinal e alinhamento de frequências

 

A diferença entre as antenas nem sempre aparece nas especificações técnicas. O material, o design e até a soldagem podem alterar de maneira significativa a sua performance.

Ciente disso, a Ericsson investiu alguns anos atrás na aquisição de uma fabricante alemã de antenas, a Kathrein, e combinou o seu conhecimento de redes móveis para aperfeiçoar a produção. Para o desenvolvimento de cada novo modelo de antena, a Ericsson cria um gêmeo digital para simular o desempenho na operação. Assim, consegue testar em ambiente virtual o resultado de cada alteração de material, design ou processo produtivo.

“Só quem conhece rede e rádio profundamente consegue melhorar o desenho de uma antena. A gente faz centenas de simulações para medir o impacto antes de produzir o modelo físico”, relata o executivo.

As antenas atuais da Ericsson usam menos cabos internos, o que melhora a qualidade do sinal. A soldagem é feita a laser, muito mais precisa. O design foi pensado para reduzir a carga de vento incidente na antena. A estrutura é de plástico 100% reciclado, em formato de “colmeia” por dentro, deixando a antena 40% mais leve do que se fosse feita com fibra de vidro, além de melhorar a condutividade, conferir maior resistência física e ser ecologicamente correta.

Todos esses cuidados fazem com que as antenas da Ericsson tenham 85% de eficiência de sinal (beam efficiency), ante 70% da média do mercado, afirma Goulart. Além disso, garantem maior precisão no alinhamento das frequências, melhorando o desempenho na agregação de canais. Também diminuem o consumo de energia.

“É importante as frequências estarem bem alinhadas para melhorar o carrier aggregation. Com isso e com a melhor eficiência de sinal das antenas, conseguimos um aumento de no mínimo 30% no uplink e no downlink”, diz o executivo.

Em um teste feito no Peru, ao substituir as antenas por modelos da Ericsson, uma operadora registrou um aumento de 42% no throughput de uplink na rede 4G e uma redução de 3% no consumo de energia.

A Ericsson quer incentivar as teles a modernizarem as antenas de suas redes, independentemente de quem for o fornecedor dos equipamentos de rádio.

“Gastar milhões em espectro e não ter uma boa antena é como comprar uma Ferrari e botar um pneu de bicicleta”, resume Goulart.

Live sobre o papel das antenas na evolução das redes 5G

A Ericsson e o Mobile Time vão realizar uma live sobre “Evolução das redes 5G: repensando as antenas na era da IA e do uplink”, no dia 27 de agosto, às 14h. O acesso é gratuito, mas requer credenciamento prévio neste link.

Vão participar da live: Murilo Barbosa, vice-presidente de negócios da Ericsson Brasil; Rodrigo Goulart, vice-presidente da Ericsson Antenna System para as Américas; Paulo Bernardocki, diretor de soluções e tecnologia da Ericsson Brasil. A moderação será feita pelo diretor-geral do Mobile Time, Fernando Paiva.

 

 

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou nesta segunda-feira, 17, um despacho que estabelece regras para a implementação de mecanismos próprios das operadoras para identificação e mitigação de chamadas massivas.

O documento define expressamente que empresas usuárias de recursos de numeração pública poderão implementar a ferramenta. Na última semana, a área de competição da Anatel confirmou a regularidade de uma solução do gênero oferecida pela Vivo e que era questionada por concorrentes.

Os novos parâmetros da agência para o tema foram publicados no Diário Oficial da União desta segunda e já estão em vigor. O despacho é assinado pelas superintendências de relações com consumidores da Anatel e de controle de obrigações.

Poder de escolha e critérios
As regras definem que empresas que utilizarem o recurso anti-spam deverão “disponibilizá-lo a toda a sua base de consumidores, sem ônus, assegurada a prévia comunicação ao consumidor acerca da ativação do mecanismo e de seus efeitos, bem como o direito de optar pela não aplicação do mecanismo em seu terminal (opt-out)”.

Também são definidos critérios para bloqueio das chamadas. Eles envolvem a elevada proporção de chamadas de curtíssima duração; a reduzida duração média das chamadas; a baixa taxa de completamento das chamadas; e a natureza da atividade econômica do usuário originador.

A agência também se preocupou em apontar que tais critérios devem considerar tanto as chamadas “intrarrede” (quando originador e destinatário estão na rede da mesma empresa) quanto ligações inter-rede, vedado o tratamento discriminatório.

Exceções
Em paralelo, são definidas exceções onde a mitigação de chamadas com mecanismos próprios não poderá ser realizada.

São os casos ligações feitas por entes públicos, forças de defesa e segurança, serviços de emergência e saúde (incluindo privados), vigilância sanitária, canais de prevenção ao suicídio, conselhos tutelares, canais de denúncia e também chamadas originadas para comunicação de dispositivos de Internet das Coisas (IoT).

A critério da operadora, também poderão ser isentadas as chamadas de origem de rede e numeração fixa já autenticadas e identificadas pelo Origem Verificada. Neste caso, a prestadora deve fazer o acompanhamento do volume e do comportamento de chamadas para informar à Anatel.

Mecanismo para análise
Outra novidade é que a operadora que oferecer o serviço deverá disponibilizar canais ou procedimentos para solicitações de revisão de bloqueio de usuários originadores.

Pelas regras, a solicitação deverá ser resolvida no prazo máximo de dez dias corridos em casos comuns ou em até seis horas, no caso de eventual bloqueio sobre serviços essenciais listados entre as exceções. A Anatel também que garantir a rastreabilidade das ações de bloqueio realizadas.

Tecnologia anti-spam
Por último, a agência definiu que a implementação dos mecanismos próprios de mitigação de chamadas abusivas será tecnologicamente livre, cabendo a cada prestadora definir a solução técnica a ser empregada, desde que observados os parâmetros do despacho.

A operadora, porém, deverá comunicar à Anatel no caso de implementação dos mecanismos, informando fluxos do processo, critérios e parâmetros, o período dos bloqueios e os procedimentos de contestação. Empresas que já contam com a ferramenta deverão realizar a adequação do anti-spam às novas regras.

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