Domingo, 20 de Setembro de 2026

Vale cobra previsibilidade no uso do espectro após discussão sobre TV 3.0

A Vale defendeu maior previsibilidade na gestão do espectro destinado a aplicações industriais, diante do volume de investimentos necessário para manter redes de comunicação utilizadas em suas operações. Durante workshop sobre o ecossistema M2M e Internet das Coisas (IoT), realizado pela Anatel, a companhia citou como exemplo a discussão envolvendo a faixa de 250 MHz, utilizada em sua operação ferroviária.

Leonardo Varanda, especialista de tecnologia da Vale, afirmou que a empresa utiliza a frequência na Estrada de Ferro Vitória a Minas e foi surpreendida pela perspectiva de utilização da faixa pela TV 3.0.

“A Vale usa 250 nas ferrovias, na ferrovia Vitória Minas, e a gente de repente chegou para gente que a TV 3.0 ia entrar ou parar a faixa. A gente [ficou] com um susto muito grande”, afirmou.

Segundo o executivo, a companhia procurou a Anatel após tomar conhecimento da questão e conseguiu coordenar o uso da faixa com a agência. Ele classificou a interlocução como produtiva e afirmou que o problema foi solucionado.

“A gente entra em contato com a agência, trabalhamos ali efetivamente os fatos, foi uma conversa muito produtiva, a gente conseguiu resolver, coordenar de forma amigável, mas a gente não pode ter esse tipo de surpresa, porque é um investimento muito alto”, disse.

Espectro sustenta operação ferroviária
A preocupação apresentada pela Vale está relacionada ao papel assumido pelas telecomunicações em sua estrutura operacional. A companhia mantém redes para suportar atividades de mineração e logística, incluindo as ferrovias utilizadas para o escoamento da produção.

Varanda afirmou que a Vale possui mais de 120 estações licenciadas no corredor entre Belo Horizonte e Vitória. Segundo ele, a conectividade é utilizada para monitoramento e para sistemas associados à sinalização e comunicação ferroviária. O executivo também afirmou que o sistema logístico das ferrovias já opera sobre LTE.

Nesse contexto, alterações na destinação ou nas condições de utilização de uma faixa podem afetar investimentos realizados não apenas pela mineradora. Varanda citou operadoras e fornecedores entre os agentes envolvidos na cadeia.

“É um investimento muito alto, não só nosso, mas das operadoras, dos fornecedores, de toda uma cadeia muito grande”, afirmou. O executivo acrescentou que a ferrovia também presta serviço de transporte de passageiros.

Vale pede coordenação mais rápida
A demanda por previsibilidade faz parte de uma discussão mais ampla apresentada pela companhia sobre disponibilidade de espectro para redes privativas. Varanda afirmou que a Vale enfrenta limitações e defendeu maior coordenação entre os usuários, além de procedimentos mais rápidos para licenciamento.

A empresa reconheceu, porém, mudanças regulatórias que facilitaram a expansão de suas redes. Entre elas está a possibilidade de licenciamento baseado em polígonos em áreas remotas. Segundo Varanda, o mecanismo ajudou a destravar o crescimento das aplicações da companhia, especialmente porque parte relevante das operações de mineração ocorre em regiões afastadas dos grandes centros.

O executivo ressaltou que a Vale não defende uma reserva exclusiva de espectro para suas operações. A demanda é por coordenação e disponibilidade capazes de atender aplicações industriais e, ao mesmo tempo, permitir o compartilhamento das frequências.

“Obviamente, como ele disse, o espectro tem que ser para todos”, afirmou Varanda. Para a companhia, o desafio passa agora por combinar essa utilização compartilhada com previsibilidade suficiente para sustentar investimentos de longo prazo em conectividade industrial.

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