Vero reduz receita no segundo trimestre; direção destaca geração de caixa
A Vero divulgou resultados financeiros do segundo trimestre nesta sexta-feira, 14, indicando uma retração de 3,5% na receita líquida no ano contra ano (para R$ 420 milhões) e um prejuízo de R$ 25,6 milhões.
O comando da empresa, contudo, destacou avanços na geração de caixa mesmo em ambiente macroeconômico desafiador. Em entrevista ao TELETIME, o CEO da Vero, Fabiano Ferreira, e o CFO da empresa, Ricardo Perrone, listaram iniciativas de disciplina financeira e eficiência operacional empreendidas e planejadas pela operadora.
Entre elas, o avanço na oferta de serviços convergentes, a atuação no segmento corporativo (B2B) e uma alocação mais eficiente de capital que deve envolver reflexão da Vero sobre a atuação em cidades onde a empresa não tem tido um desempenho satisfatório.
Confira detalhes da estratégia da Vero e os principais números da operadora no segundo trimestre:
Receita líquida: R$ 420,4 milhões (-3,5%)
Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização): R$ 227,4 milhões (-2,6%)
Margem Ebitda: 54,1% (+0,6 p.p.)
Investimentos (capex): R$ 133,8 milhões
Fluxo de caixa operacional (FCO) menos capex: R$ 118 milhões (+295%)
Prejuízo: R$ 25,6 milhões (-952%)
Dívida líquida: R$ 3,057 bilhões
Alavancagem: 3,3x
Cenário
O comando da Vero destacou cenário atual marcado por desafios macroeconômicos (como juros elevados) e setoriais (como a redução de oportunidades orgânicas na banda larga). Segundo a Anatel, a empresa teve quase 20 mil desconexões na banda larga no segundo tri, sendo que em um ano a base recuou 5,8%, para 1,305 milhão de acessos.
Para Fabiano Ferreira, além dos números do momento, é necessário avaliar a geração de valor no longo prazo entregue pela companhia. A geração de caixa operacional foi considerada o grande destaque no quesito, somando R$ 118 milhões no segundo tri (+295%) e R$ 450 milhões nos últimos doze meses (+124%).
Segundo Ricardo Perrone, CFO da companhia, a cifra torna a empresa bastante resiliente e capaz de se autofinanciar de forma sustentável, algo importante considerando o momento econômico. Segundo o comando da Vero, essa capacidade de gerar caixa também será diferencial no momento em que os juros começarem a cair de forma consistente.
Hoje, a Selic é um dos fatores que afetam diretamente o resultado da companhia: o prejuízo contábil de R$ 25,6 milhões no segundo trimestre teve como um dos elementos de pressão o resultado financeiro negativo de R$ 139 milhões (+10,9%), além de R$ 122 milhões em despesas com depreciação (+11,8%).
Reavaliação de cidades
No momento, a Vero está começando uma reflexão sobre a atuação em cidades onde a empresa não tem obtido um grande desempenho historicamente, adiantou Fabiano Ferreira ao TELETIME.
O projeto está em fase inicial e deve envolver mudanças no go-to-market em determinados mercados, com reavaliação da infraestrutura de custos nos locais e adoção de um portfólio diferenciado. Os municípios envolvidos no projeto devem ter, em sua grande maioria, de 30 mil a 60 mil habitantes.
Convergência
Já a convergência segue como um dos principais pilares para criação de valor. A base de telefonia móvel da Vero, por exemplo, alcançou 367 mil clientes no segundo trimestre, após adição de 31 mil novos assinantes. A penetração do móvel na base de banda larga chegou a 15,3%, avanço de 8 pontos percentuais em um ano.
Se considerados também serviços digitais (como streaming), a base convergente se aproxima de metade da carteira de banda larga. “A Vero há um ano tinha 31% dos clientes com streaming e/ou móvel junto com banda larga. Hoje esse número já subiu para 44%”, citou Ricardo Perrone.
Como resultado da dinâmica, a receita média por usuário (ARPU) do assinante da Vero bateu R$ 118,5 no segundo trimestre (+3,2% no ano contra ano). Já o churn (evasão de clientes) na empresa está em 2,1%, com perspectiva de queda nos próximos meses.
B2B
Outro projeto estratégico na Vero é a atuação no segmento corporativo (B2B), que hoje responde por 13% das receitas, com impulso de uma ampliação de portfólio recente. “Temos uma expectativa de que o B2B cresça mais rápido do que o B2C”, afirmou Ricardo Perrone, citando foco especial no segmento de pequenas e médias empresas.
