União Europeia assina acordo com consórcio e amplia satélites na IRIS²
A Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia) e o consórcio SpaceRISE (formado por Eutelsat, Hispasat e SES) assinaram o acordo de implementação da IRIS², marcando o início da fase de execução da constelação soberana de satélites do bloco anunciada em 2024.
O acordo, entre outras aspectos, adiciona 66 satélites de baixa órbita ao programa, elevando a constelação principal para 348 artefatos. Serão 330 satélites na órbita baixa terrestre (LEO) e 18 satélites em órbita média (MEO), além de elementos opcionais para missões específicas.
A expectativa é que a nova arquitetura permita aumento de 60% na capacidade governamental prevista na UE e de 54% globalmente. A meta é realizar os primeiros lançamentos de satélites até 2029. O investimento total da parceria público-privada deve superar os € 15,6 bilhões.
Uma vez operacional, algo que deve ocorrer a partir de 2030, a constelação pretende fornecer “conectividade soberana, segura e altamente confiável” para governos, forças de defesa e segurança e serviços de emergência na Europa e em parceiros. O Brasil é visto como um potencial usuário.
Eutelsat lidera na baixa órbita
A negociação finalizada com o trio da SpaceRISE estava em curso desde janeiro e confirmou os principais parâmetros no IRIS², incluindo compromissos de cada empresa. Em comunicados separados, as operadoras de satélites destacaram a assinatura do acordo.
A Eutelsat, por exemplo, foi confirmada como líder do segmento de baixa órbita: isso envolve o projeto, a implantação e operação da constelação LEO da IRIS², composta por 264 satélites de banda dupla Mil-Ka (militar)/Ku, além de 66 satélites em Mil-Ka.
Como consequência do escopo ampliado do programa, a Eutelsat investirá € 2,23 bilhões na infraestrutura compartilhada da IRIS², além de cerca de € 1,16 bilhão em infraestrutura comercial própria, faseados ao longo do período de 2027 a 2034.
Os primeiros satélites exclusivamente em Banda Ka Militar serão lançados a partir de 2029. Já a constelação LEO comercial em banda Ku estará totalmente operacional em meados de 2032, afirma a Eutelsat.
Em contrapartida aos investimentos, a empresa sediada na França espera ter acesso a mais do que o dobro da capacidade atual da OneWeb, sua constelação LEO. A Eutelsat também projeta ganhos de escala ao lado dos parceiros e receita gerada por essa capacidade de mais de € 10 bilhões ao longo de 2032-2040.
Hispasat no segmento terrestre e SES na média órbita
A Hispasat anunciou que será a fornecedora principal do segmento terrestre, incluindo infraestrutura de antenas, interconexões com redes locais e sistemas de controle. O orçamento previsto supera o € 1,6 bilhão, indicou a operadora espanhola.
A empresa também vai liderar o desenvolvimento de uma camada para órbita terrestre muito baixa (Low LEO), projetada para operar em altitudes abaixo de 750 km e fornecer conectividade direta a dispositivos móveis (D2D) e à Internet das Coisas (IoT).
O acordo ainda garante acesso da Hispasat a órbitas não geoestacionárias em regiões de interesse estratégico. Para isso, a empresa comprometeu-se com um investimento de até € 600 milhões de euros para a obtenção dos direitos de exploração.
Já a SES vai liderar o segmento MEO, que exigirá compromisso de capital de até € 1,35 bilhão, com início dos serviços previsto para 2030. Neste caso, aproximadamente 90% da capacidade MEO deve permanecer comercialmente explorável pela empresa, indicou comunicado.
A SES projetará e construirá payloads e realizará montagem e testes da frota a partir de suas instalações em Luxemburgo. Além do segmento de satélites MEO, a operadora deve liderar o desenvolvimento de terminais de usuário e as operações e fornecimento dos serviços LEO/MEO por meio dos centros de controle da IRIS².
Além de Eutelsat, Hispasat e SES, grandes grupos europeus e fabricantes do setor aeroespacial devem participar da iniciativa como fornecedores, incluindo Airbus Defence and Space, Thales Alenia Space, OHB e Aerospacelab.
Após a assinatura do contrato de implementação, os próximos passos para concretizar a constelação incluem a finalização do projeto detalhado, a preparação para construção dos satélites e da infraestrutura terrestre e a garantia dos serviços de lançamento.
Para a constelação europeia, também é esperada uma nova geração de terminais de usuário menores, mais leves e acessíveis economicamente.
Financiamento
O cronograma de implantação e o aumento de capacidade negociados na IRIS² implicam em um investimento adicional no orçamento público do programa, estimado em mais de € 10 bilhões. O financiamento virá de uma combinação de recursos do orçamento da UE para 2028–2034 e aportes adicionais de Estados-Membros e terceiros.
A Polônia e a Hungria, por exemplo, já comprometeram € 656 milhões e € 500 milhões, respectivamente, enquanto a Espanha anunciou investimentos de € 1,6 bilhão a € 2 bilhões. Outras contribuições dos Estados-Membros estão em análise, com acordos em fase de finalização.
Países de fora da UE também começaram a confirmar participação no projeto, casos da Noruega e da Islândia. Além do bloco e do consórcio SpaceRISE, a Agência Espacial Europeia (ESA) também atua no IRIS².
