Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Semicondutores e informática puxam queda na produção eletrônica do Brasil

A produção física da indústria elétrica e eletrônica do Brasil acumulou queda de 2,4% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, resultado puxado pela retração de 5,1% na área eletrônica, enquanto a área elétrica registrou recuo marginal de 0,1%, segundo dados do IBGE compilados pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee).

Dentro da área eletrônica, as maiores quedas do semestre vieram de componentes eletrônicos (-9,1%), bens de informática e periféricos (-7,8%) e equipamentos de comunicação (-7,1%). A produção de aparelhos de áudio e vídeo recuou de forma mais modesta (-0,8%), enquanto instrumentos de medida foi o único segmento eletrônico em alta, com avanço de 1,6%.

Em junho, a produção do setor eletroeletrônico recuou 3,9% frente a maio, com ajuste sazonal, puxada por uma queda de 8,9% na área eletrônica. Já a área elétrica cresceu 0,2% no mês. Na comparação com junho de 2025, o setor caiu 2,9%, com a área eletrônica em retração de 14,1% e a elétrica em alta de 7,6%.

Os piores desempenhos de junho na área eletrônica na comparação anual foram os de aparelhos de áudio e vídeo (-21,5%), componentes eletrônicos (-19,2%), equipamentos de comunicação (-18,2%) e bens de informática e periféricos (-13,9%). O item instrumentos de medida voltou a ser exceção, com alta de 10,7%.

Já na área elétrica, o semestre trouxe forte queda de 31,7% na produção de equipamentos elétricos não especificados, categoria que inclui alarmes, campainhas e controles remotos, e recuo de 1,6% em geradores, transformadores e motores. Em contrapartida, lâmpadas e equipamentos de iluminação subiram 13,7%, equipamentos para distribuição e controle de energia elétrica avançaram 4,1%, pilhas e baterias cresceram 3,9% e eletrodomésticos tiveram alta de 0,3%.

A média móvel anual do setor eletroeletrônico, calculada pela Abinee, mostra que a taxa acumulada ficou negativa desde julho de 2025 e permanece nesse patamar desde o início de 2026, o que, segundo a entidade, ainda não permite identificar uma tendência de melhora na atividade.

O desempenho eletroeletrônico contrasta com o da indústria geral, que cresceu 1,5% no semestre, sustentada pela indústria extrativa (+7,4%). A indústria de transformação, por sua vez, avançou apenas 0,4%. Bens de capital recuaram 5,4% no período, e bens de consumo duráveis cresceram 1,4%.

Contexto da queda

A retração da área ocorre em meio a uma combinação de fatores que a própria Abinee já vinha sinalizando.

A entidade atribui parte da pressão sobre a produção doméstica à concorrência das importações, sobretudo da China, que responde por cerca de 45% das compras externas do setor eletroeletrônico, com destaque para semicondutores, item de maior peso entre os produtos importados.

A associação também relatou déficit crescente na balança comercial do setor, de US$41,1 bilhões em 2025, reflexo do avanço mais rápido das importações frente à produção local em segmentos como informática, comunicação e componentes.

A escalada global de preços de memórias e semicondutores, associada à demanda por aplicações de inteligência artificial, é outro fator apontado pela indústria como pressão adicional sobre custos e margens dos fabricantes locais desses insumos.

Além disso, a Abinee associa parte do desempenho mais fraco das exportações à retração das vendas para os Estados Unidos, após a imposição de tarifas sobre determinados produtos brasileiros, o que também afeta a competitividade de fabricantes voltados ao mercado externo.

Por fim, o setor também segue enfrentando a entrada irregular de aparelhos eletrônicos no país por meio de descaminho, distribuídos principalmente por marketplaces, prática que a Abinee tem classificado como um dos entraves à recuperação da produção local, mesmo com medidas de fiscalização reforçadas ao longo do último ano.

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