Conta de luz supera a de 77 países; reforma cortaria custo em até 32%
O acúmulo de subsídios, impostos, perdas no sistema e “jabutis” aprovados pelo Congresso faz o Brasil ter uma das contas de luz mais caras do mundo, considerando países com matriz enérgica parecida, ou seja, com geração concentrada em usinas hidrelétricas, eólicas e solares.
Estudo do economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública (CLP), aponta que uma reforma estrutural no setor elétrico – com eliminação dos “jabutis” legislativos, revisão de subsídios, combate às perdas do sistema e redução da carga tributária – poderia diminuir os custos em até 32%. Mesmo sem uma alteração de tributos, mais difícil, a conta de luz poderia ficar 23% mais barata.
Procurado, o Ministério de Minas e Energia afirmou que nova lei, limitadora do crescimento de subsídios, e a reforma tributária deverão dar um alívio na conta de luz (mais informações na pág. B3).
O levantamento considera o custo da energia residencial em 138 países. Embora o preço nominal não seja o maior do mundo, quando ajustado pela Paridade do Poder de Compra (PPC), leva a conta de luz residencial brasileira (US$ 0,357/kWh) a superar a de outros 77 países – entre eles, China (US$ 0,155/kWh), Canadá (US$ 0,146/kWh) e Noruega (US$ 0,95/kWh). Índia, Equador, Coreia do Sul, Rússia, Argentina e Estados Unidos estão entre as nações com a tarifa mais barata. Países com estrutura precária de energia, como Serra Leoa, Ruanda, Cabo Verde, Guatemala e Quênia, estão no topo da lista.
A matriz energética brasileira é formada principalmente por energia limpa. Em 2025, 85% da geração foi composta por usinas hidrelétricas, eólicas e solares. Segundo Duque, o Brasil não consegue transformar matriz limpa e geração barata em vantagem diante de países que disputam os mesmos investimentos e mercados.
“O Brasil não sofre principalmente de falta de geração barata, mas de incapacidade de transformar sua dotação energética em preço final competitivo”, diz Duque, head de Inteligência Técnica do CLP. “O Brasil é tão abençoado por essa matriz energética que, mesmo com todas as complicações, não fica lá no alto (no custo), mas o ponto é: poderia estar muito mais embaixo.”
O custo efetivo da geração de energia representa apenas 30,4% da conta. Mais de dois terços da fatura são compostos por encargos, impostos e custos da rede. Na prática, o preço da tarifa funciona como uma “política industrial às avessas”.
Comparação
Considerada a Paridade do Poder de Compra, o custo no País é maior do que o de China, Canadá e Noruega
