Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026

Anatel prepara consulta pública sobre Wi-Fi outdoor na faixa de 6 GHz

A Anatel está se preparando para abrir uma consulta pública sobre o uso de redes Wi-Fi outdoor na faixa de 6 GHz. A informação foi antecipada nesta terça-feira, 28, pelo superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da agência, Vinicius Caram, durante evento promovido pela própria Anatel para discutir o futuro da faixa.

Segundo Caram, a consulta deverá discutir regras para permitir o uso da faixa inferior de 6 GHz em standard power para redes Wi-Fi em ambientes externos (outdoor), com apoio de sistemas de Coordenação Automática de Frequências (AFC, na sigla em inglês).

“Eu sempre enxerguei, de fato, o uso do Wi-Fi outdoor como um potencial mesmo para a conectividade do brasileiro. O País precisa disso”, acrescentou o superintendente. Cronograma da consulta e parâmetros técnicos ainda não foram revelados.

A iniciativa faz parte das discussões sobre o uso da faixa de 6 GHz, que opõem setores favoráveis à ampliação do espectro para aplicações Wi-Fi e representantes da indústria móvel, que defendem reservar parte da banda para futuras redes IMT, incluindo o 6G.

Indústria móvel e o 6 GHz
A futura consulta ocorrerá em meio ao debate sobre a divisão da faixa de 6 GHz entre aplicações Wi-Fi e futuras redes móveis. Enquanto a parte inferior permanece destinada ao Wi-Fi, a porção superior foi reservada pela Anatel para o serviço móvel e integra o planejamento da agência para a evolução das redes móveis. “Nós enxergamos o 6 GHz como, de fato, o caminho para a tecnologia 6G”, disse Caram.

O evento na agência reuniu representantes da indústria móvel, de fabricantes e de provedores de Internet. Enquanto representantes do ecossistema Wi-Fi defenderam medidas para ampliar o aproveitamento da faixa destinada à tecnologia, representantes da indústria móvel argumentaram que a divisão adotada pela Anatel preserva espectro para a evolução do 6G.

O consultor da Abrint, Arthur Coimbra, defendeu que o AFC também possa habilitar o compartilhamento dinâmico da parte superior da banda, enquanto ela não estiver sendo utilizada por redes móveis.

“Todas as alternativas que a Abrint vem defendendo recentemente não complicam com a preocupação legítima da agência de garantir um espaço para os serviços móveis. Não se propõe aqui uma oposição entre o Wi-Fi e o IMT, nem uma reversão simplória da divisão da faixa”, argumentou Coimbra.

No caso de uso coordenado, temporário e reversível da porção superior da faixa de 6 GHz sem rede móvel ativa, a proposta é inspirada em uma decisão recente do Reino Unido que permitiria o uso da banda em localidades onde ainda não exista operação celular.

“A Abrint já contratou um estudo para estudar as possibilidades e os limites dessa pseudoconvivência, algo parecido com o que o Reino Unido já vem fazendo”, comentou Coimbra.

Já a diretora de políticas públicas da GSMA para a América Latina, Luciana Camargos, sustentou que a divisão adotada pela Anatel acompanha uma tendência internacional e atende às necessidades tanto do Wi-Fi quanto das futuras redes móveis.

“Avaliamos que a decisão do Brasil de dividir essa faixa é realmente a decisão mais acertada para garantir o futuro de ambas as indústrias”, afirmou a executiva.

“Hoje, essa decisão de parte alta dos 6 GHz para o IMT e parte baixa dos 6 GHz para o Wi-Fi, é seguida por 80% dos países que representam 80% da população mundial”, disse Luciana Camargos.

Apesar da sinalização da área técnica, o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, e o conselheiro Alexandre Freire, que é relator do edital de 6 GHz, evitaram antecipar posicionamentos sobre o mérito da regulamentação. “É fundamental que a Anatel busque todas as informações, tenha diálogo com o setor produtivo para que essa decisão seja baseada em evidências e seja o mais fundamentada possível”, afirmou Baigorri.

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