Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Amazon Leo quer rede de 5 mil satélites para conectar smartphones

A Amazon Leo apresentou à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) um pedido para lançar e operar uma constelação de até 5.105 satélites de órbita baixa (LEO) voltados à conexão direta com celulares e outros dispositivos móveis. O objetivo é oferecer serviços de voz, mensagens, dados e comunicações de emergência sem depender exclusivamente de redes terrestres.

O sistema, chamado Amazon Leo Direct-to-Device (D2D), deverá operar em parceria com operadoras móveis e a expectativa da companhia é que a implantação desses novos satélites comece em 2028. A constelação deve complementar a atual frota para banda larga via satélite da companhia, que deve ser lançada comercialmente neste ano, concorrendo com a Starlink.

No pedido enviado à FCC, a empresa afirmou que a nova constelação será formada por satélites “especificamente adaptados para serviços D2D” e permitirá ampliar a conectividade para usuários consumidores, empresas e órgãos públicos.

O pedido à FCC não representa uma autorização imediata para operação. Assim como no Brasil, sistemas de satélites novos também precisam passar por análise regulatória nos Estados Unidos. Aspectos como uso de frequências, possibilidade de interferências, coordenação com outros operadores e requisitos técnicos ainda serão avaliados antes de um eventual sinal verde para licenças.

Globalstar
O pedido à FCC está relacionado ao acordo anunciado pela Amazon para aquisição da Globalstar, operadora de satélites especializada em serviços móveis via satélite (MSS).

O negócio, divulgado em abril de 2026, prevê a incorporação pela Amazon dos ativos de satélite da Globalstar, incluindo infraestrutura operacional e licenças de espectro.

Segundo a Amazon, a aquisição permitirá combinar o espectro e a experiência operacional da Globalstar com a arquitetura de satélites de órbita baixa da Amazon Leo. A Globalstar já era responsável pela infraestrutura usada por recursos como o SOS de emergência via satélite da Apple.

Constelação
A constelação proposta terá cinco camadas orbitais, com satélites posicionados entre 510 km e 580 km de altitude. Os equipamentos utilizarão frequências em bandas S e L para comunicação com celulares e outras bandas, como Ka e V, para conexão com estações terrestres.

A Amazon afirmou que os satélites terão tecnologias para aumentar a eficiência do uso do espectro, como formação digital de feixes, troca dinâmica de feixes e processamento de sinais a bordo. A empresa também prevê enlaces ópticos entre satélites para permitir o roteamento de dados no espaço.

No documento regulatório, a companhia detalhou que o sistema poderá atender aplicações como comunicação em áreas remotas, mensagens de emergência, operações industriais, gestão de frotas e conectividade para dispositivos de Internet das Coisas (IoT). “O sistema Amazon Leo D2D ampliará o acesso para clientes que atualmente não são atendidos ou são mal atendidos por provedores terrestres”, declarou a empresa.

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