Oi tenta liberar venda de cobre após questionamentos sobre cotação
A Oi está tentando liberar na Justiça uma venda de cabos de cobre aéreo para a empresa R.Log, sediada em Belo Horizonte (MG), após receber questionamentos sobre a cotação utilizada em um contrato de venda firmado no último mês de março.
O impasse está nas mãos da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que supervisiona a recuperação judicial da tele. Ainda que a Justiça já tenha autorizado outras operações envolvendo sucata de cobre, a venda à R.Log motivou indagações do observador judicial (watchdog) do processo da Oi, depois endossadas pelo Ministério Público.
Entre os pedidos estavam uma explicação sobre os fundamentos de preço acertados para a venda (R$ 9,50/kg líquidos) e sobre o montante global de metal a ser alienado – algo que a gestão judicial da Oi diz ainda não conseguir precisar, segundo manifestação enviada à Justiça nesta semana.
Preço do cobre
O preço acertado com a R.Log está distante da cotação do cobre puro negociado na London Metal Exchange (LME), que ronda os US$ 13,5 mil/tonelada nos últimos meses, graças à demanda da transição energética. Considerando o câmbio atual e descartando demais variáveis, é como se cada kg fosse negociado a R$ 68 no mercado internacional.
A cotação da LME, contudo, não é vista como parâmetro pela Oi. “No presente caso, a alienação não envolve cobre refinado em condições de comercialização internacional, mas sim sucata de cabos instalados em postes, pertencente a uma empresa em recuperação judicial, sujeita a severas restrições de caixa e a condições operacionais distintas”.
Com a falta de recursos, a tele espera que a compradora assuma o custo das operações de extração, transporte e beneficiamento do material, estimados em R$ 15/kg. Já o preço de R$ 9,50/kg retrataria o montante líquido que a Oi efetivamente receberia, desembaraçado de custos operacionais.
Já sobre a quantidade de cobre a ser transferida, a operadora afirmou ser impossível precisar os montantes exatos, mas indicou estimativa de 10 mil toneladas de material que, a R$ 9,50/kg, representaria potencial de R$ 95 milhões em entrada de recursos.
“Cumpre esclarecer que não é possível determinar com precisão, antes da efetiva retirada dos cabos, a quantidade exata de cobre existente no interior dos postes. A natureza do ativo — sucata de cabos aéreos instalados em infraestrutura de telecomunicações — impõe que a quantificação definitiva somente ocorra após a extração e a pesagem do material”.
A Oi também argumenta que uma solução para o impasse é urgente, especialmente diante do cenário recorrente de furtos e roubos do cobre da operadora. “A cada dia que passa, o cobre sucateado se deteriora e, consequentemente, implica perda de seu valor patrimonial”.
Além da R.Log, a Oi recebeu uma outra proposta pelos ativos, feita pela Metalpronto. Ela previa R$ 12,50/kg de cobre, mas foi desconsiderada por contemplar também o material nos subterrâneos da rede. Tais ativos não estariam desembaraçados para venda e possuem valor superior ao dos cabos metálicos aéreos, afirma a Oi.
Vale notar que em novembro de 2025, a tele firmou um contrato com a San Lien Exportadora e Importadora também para a venda de sucata de cobre, naquele caso ao preço de R$ 9,05/kg (ou seja, R$ 0,45/kg abaixo da proposta atual da R.Log). A operação teve aval da Justiça e resultou em ingresso efetivo de R$ 23,4 milhões em caixa.
Crise da Oi
O desembaraço da venda do cobre para a R.Log foi uma das medidas emergenciais solicitadas pela Oi à Justiça nesta semana. Outros pleitos envolvem autorização para segunda e terceira chamadas do leilão judicial para venda da Oi Soluções, com definição de data pela Justiça, e aval para demitir parte da folha de trabalhadores, com o adiamento do pagamento de verbas rescisórias.
A Oi projeta caixa de R$ 19,6 milhões ao final deste mês de julho. Em agosto e setembro, as projeções são de liquidez negativa, com previsão dos recursos se esgotarem no dia 10 do próximo mês.
