Sábado, 4 de Abril de 2026

Na Brisanet, banda larga competitiva deve preservar margens

Um impacto na margem de lucratividade da Brisanet por conta do ingresso da operadora no mercado móvel deve ser compensado pela postura “competitiva” na banda larga, aponta a operadora.

A análise também consta em um relatório do banco suíço UBS sobre o balanço da empresa cearense, publicado na última quarta. A margem Ebitda da empresa ficou em 42% na janela até junho, com um recuo acentuado no segundo tri (-7,4 pontos percentuais em um ano), embora estável no semestre (-0,2 p.p.).

“Nós montamos uma operação móvel sem receita. Por isso, vejo como bem positivo um (margem) Ebitda de 42%. Não tem nenhum risco na nossa operação, porque a banda larga fixa está muito bem estruturada, é muito competitiva, tem um ticket médio saudável. Com a concorrência lá embaixo e a Brisanet se sobressaindo, a rede estruturada trouxe qualidade e garantia futura para a companhia”, apontou o CEO da Brisanet, Roberto Nogueira, em conferência nesta quinta, 15.

Algo similar foi apontado pelo UBS. Segundo o banco, a margem Ebitda da Brisanet no segundo semestre de 2024 deve ser similar à registrada na primeira metade do ano. Isso se deve por dois fatores principais: um avanço dos canais de vendas da empresa em mais cidades, o que ainda não ocorre de forma acelerada, e a evolução da operadora para um modelo de banda larga e rede móvel.

Por enquanto, o cenário relatado por Nogueira é que a operação móvel tem enfrentado desafios. Ele afirma que a operadora dividiu em três grandes etapas o desenvolvimento da sua rede móvel: a construção do core de rede (a infraestrutura e ativação do rádio), a cobertura 100% de cada cidade e a plataforma de software para controlar os canais de venda – onde ainda é preciso avançar.

“Dessas três, as que ficaram muito maduras logo cedo foram o core de rede e a esteira de construção. Hoje, a Brisanet está construindo de forma muito acelerada, com domínio próprio, tudo internalizado, do projeto de torre à ativação dos testes. Já a plataforma [de vendas] é sempre um dos maiores desafios. Nós passamos 25 anos na banda larga fixa, mas no mundo móvel o desafio é muito maior”, reconhece o executivo. Por enquanto, a maioria das vendas da empresa no segmento ainda são porta a porta. 

Banda larga competitiva
Dessa forma, pesa na boa avaliação da UBS a operação de banda larga, considerada “competitiva” e “sustentável”. “Acreditamos que este seja um caminho para a recomposição das margens a partir de 2025, mitigando nossas preocupações iniciais”, afirma o banco.

Sobre a competição na banda larga, o relatório da firma observa que a Brisanet lidera em adições líquidas nas regiões onde atua, superando as operadoras grandes cidades onde há uma sobreposição com a empresa, mesmo com preços similares. 

Já em cidades menores, as operadoras optaram por uma estratégia agressiva, com preços mais baixos (R$ 49 por um pacote com streaming). Mas a Brisanet não tem a intenção de elevar o seu ticket médio, hoje na casa dos R$ 90.

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