Abinee: exigências e normas técnicas dificultam redirecionamento de eletrônicos para fora dos EUA
O presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, ao participar ontem de reunião em Brasília para tratar do tarifaço, explicou a membros do governo que máquinas e equipamentos elétricos e eletrônicos voltados para exportações possuem características técnicas fortemente associadas às normas, regulamentações e especificações próprias de cada mercado.
Por isso, de acordo com o executivo, neste contexto das tarifas norte-americanas impostas a produtos brasileiros, não é prática simples desviar estes produtos para outros mercados como se faz de uma hora para outra com bens de consumo ou matérias-primas obtidos diretamente da natureza através da agricultura, pecuária e extrativismo.
Diante deste cenário e dentro deste contexto, a Abinee sugeriu ao governo, representado no encontro pelo ministro do MDIC, Márcio Elias, e representantes dos Ministérios da Fazenda e das Relações Exteriores, que amplie os programas de apoio às exportações, por meio de crédito, garantias e seguro de exportação, além do fortalecimento das ações de promoção comercial e da abertura de mercados alternativos.
De acordo com Barbato, a tarifa de 25%, imposta em julho pela USTR, atingiu 90,9% do valor exportado para os EUA em 2025, evidenciando os efeitos que as taxas do governo dos EUA terão sobre as exportações da indústria elétrica e eletrônica, sendo que os Estados Unidos responderam por 26% das exportações do setor.
A entidade entende que será preciso que o governo brasileiro adote medidas imediatas e estratégicas para que as empresas do setor consigam manter mercados. Ele descartou a adoção de qualquer medida de retaliação neste momento.
“São injustificáveis as tarifas de 25% contra nossos produtos, afinal, em 2025, o setor registrou superávit comercial de US$ 2,7 bilhões em favor dos Estados Unidos. Ainda assim, os EUA continuam sendo um mercado muito importante para o nosso setor”, afirmou, acrescentando que só nos últimos cinco anos houve aumento de 80% nas vendas de bens elétricos e eletrônicos para aquele país.
“Por isso, solicitamos que o governo brasileiro continue nas mesas de negociações e que, ao mesmo tempo, sejam tomadas medidas imediatas para assegurar que nossos produtos continuem sendo competitivos frente aos concorrentes globais”, reforçou.
