Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026

MVNOs autorizadas decolam a partir de 2021 e encontram nicho em IoT

O mercado de operadoras móveis virtuais (MVNOs) autorizadas, após anos de lenta expansão, passou a crescer de forma substancial a partir de 2021 e, na prática, se consolidou na prestação de serviços de comunicação máquina a máquina (M2M) e Internet das Coisas (IoT), onde já atua em forte concorrência com as operadoras tradicionais.

É o que indica o Relatório de Monitoramento da Competição da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), referente ao segundo trimestre de 2026, divulgado nesta semana.

O levantamento mostra que, entre 2013 e 2020, as MVNOs autorizadas somaram, juntas, apenas 620 mil acessos. Já desde 2021, o segmento registrou um crescimento contínuo e exponencial, fechando o segundo trimestre de 2026 com 11,3 milhões de acessos. Em média, a base cresceu cerca de 73,5% ao ano entre o fim de 2020 e o fim de 2025.

Anatel MVNO relatorio monitoramento competicao

“Este salto evidencia que o modelo de operadoras virtuais autorizadas se consolidou como um vetor de expansão e diversificação de conectividade no País, impulsionado especialmente pela demanda corporativa e por novos ecossistemas digitais”, destaca a Anatel. No primeiro semestre de 2026, as MVNOs autorizadas adicionaram 1,57 milhão de novos acessos.

As operadoras móveis virtuais oferecem serviços de telefonia móvel sem possuir rede própria de acesso. Para operar, utilizam a infraestrutura de uma operadora tradicional. No Brasil, existem dois modelos de MVNO. No modelo de autorizada, a empresa possui autorização própria da Anatel para prestar o Serviço Móvel Pessoal (SMP), conta com maior autonomia operacional e regulatória e pode administrar recursos próprios, como numeração.

Já no modelo credenciada, a operação ocorre mediante credenciamento junto a uma prestadora de origem, papel exercido pelas teles nacionais ou mesmo pelas MVNOs autorizadas.

Competição e IoT
Segundo o estudo da Anatel, as MVNOs, em geral, não concorrem necessariamente entre si em um mesmo modelo de negócios e área de prestação.

Além disso, o relatório sustenta que as operadoras virtuais, até aqui, também não concorrem plenamente na prestação de telefonia celular pessoal com as operadoras nacionais (Claro, TIM e Vivo) e regionais (Unifique e Brisanet).

Na realidade, na avaliação do regulador, o que se vê é que as MVNOs apresentam alto nível de concorrência com as operadoras tradicionais no segmento de M2M e IoT. Já no mercado de linhas móveis ainda se vê uma “atuação com baixa sobreposição direta” com as teles de porte nacional.

O relatório ressalta que a Datora, que atua exclusivamente em M2M, lidera o segmento de MVNO autorizadas, com 34,1% do mercado. Em seguida, aparece a Surf (30,3%), com operações tanto de telefonia móvel tradicional quanto de M2M.

Ambas estão bem à frente da Telecall, que detém 13,9% do mercado de autorizadas, e da Next Level Telecom, com 10,6%. Com participação relevante, ainda é possível destacar a 1NCE (4,1%) e a Vero (3,1%).

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