Segunda-feira, 20 de Julho de 2026

Tarifaço dos EUA tem isenções, mas pouco preserva cadeia de telecom

O governo dos Estados Unidos decidiu aplicar, a partir de 22 de julho, uma tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras. Anunciado na noite de quarta-feira, 15, o tarifaço prevê isenções para mais de 2 mil produtos, mas pouco preserva a cadeia de telecomunicações.

Conforme levantamento feito por TELETIME, a lista de isenções inclui smartphones e qualquer outro tipo de telefone para redes celulares e redes sem fio.

Além disso, alguns componentes de telecomunicações foram isentados apenas para o setor de aviação civil. É o caso de conversores estáticos, indutores para fontes de alimentação, microfones com faixa de frequência de 300 Hz a 3,4 kHz, alto-falantes não montados em suas caixas acústicas com faixa de frequência de 300 Hz a 3,4 kHz, osciloscópios e oscilógrafos.

A lista de produtos não tarifados, portanto, não inclui equipamentos de rede, como cabos ou antenas de telefonia móvel.

Em nota nesta quinta, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) classificou o tarifaço como injustificável. O fluxo de comércio no setor eletroeletrônico entre os dois países é superavitário em favor dos norte-americanos, com saldo negativo para o Brasil de US$ 2,7 bilhões em 2025 (exportações de US$ 2,1 bilhões e importações de US$ 4,8 bilhões).

O segmento elétrico seria ainda mais afetado que o eletrônico, com destaque para transformadores, motores e geradores e componentes para equipamentos industriais, que estão entre os itens mais exportados pelo setor ao mercado norte-americano, aponta a Abinee.

De uma forma geral, itens de aviação civil, petróleo, carne bovina e café, que juntos responderam por um terço da pauta de exportações do Brasil para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, não estão sujeitos ao tarifaço imposto aos produtos brasileiros.

Justificativas do tarifaço
Em comunicado, o Gabinete do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) destaca que a decisão pelo tarifaço foi tomada após um ano de investigações. O entendimento norte-americano é de que o Brasil tem adotado, há décadas, políticas e práticas que prejudicam o comércio com os Estados Unidos.

Em uma série de posts na rede social X (antigo Twitter), o USTR destacou que o Pix tem sido usado para prejudicar os prestadores norte-americanos de serviços de pagamento eletrônico. O gabinete ainda reclama que o Banco Central (BC) busca tornar a ferramenta um “campeão nacional” no setor de meios de pagamentos.

O USTR também critica decisões da Justiça brasileira contra empresas de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo X, Meta e Google. O gabinete cita determinações para remoção de conteúdos políticos, suspensão de contas de residentes nos Estados Unidos e a aplicação de multas diárias pelo descumprimento das decisões judiciais.

Como justificativa para o tarifaço, o governo norte-americano também alega que o Brasil adota tarifas injustas no comércio exterior, favorecendo México e Índia, além de taxar o etanol norte-americano. O País ainda é acusado de não proteger adequadamente propriedades intelectuais e de ser um ambiente propício para corrupção.

No comunicado sobre as tarifas, o governo dos Estados Unidos lamenta que as extensas negociações não resolveram os problemas identificados na relação comercial com o Brasil. Contudo, diz que se mantém aberto para prosseguir com as conversas em torno do tarifaço.

(Com informações adicionais da Agência Brasil)

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