GSMA alerta para ritmo da redução de emissões no setor móvel
As emissões de gases de efeito estufa (GEE) das operadoras de telefonia móvel caíram 5% em 2024, de acordo com relatório divulgado na terça-feira, 14, pela GSMA, associação global de teles. O ritmo de reduções, contudo, não tem sido o suficiente para que o setor alcance a meta estabelecida para 2030.
O estudo “Mobile Net Zero: State of the Industry on Climate Action” ressalta que o setor cortou as emissões operacionais em 13% no período de 2019 a 2024, apesar de as conexões móveis terem crescido 10% e o tráfego móvel mais do que quadruplicado no mesmo período. Dados preliminares indicam nova queda de cerca de 3% em 2025.
No entanto, a GSMA alerta que, se as tendências atuais persistirem, as emissões do setor móvel serão reduzidos apenas em 33% até 2030, índice inferior à meta de 45% estabelecida pelo Science Based Targets Initiative (SBTI), organização dedicada a definir e promover práticas de redução de emissões.
Segundo o relatório, no intervalo de 2019 a 2024, as emissões operacionais caíram em todas as regiões. Os melhores resultados foram alcançados no América do Norte e na Europa, onde as emissões foram reduzidas em mais da metade. Em seguida, aparecem América Latina (redução de emissões em 40%), África Subsaariana (30%) e Oriente Médio e Norte da África (10%).
O esforço para alcançar a meta de 2030, de acordo com a associação, precisa ser feito principalmente na Ásia. Inclusive, em 2024, o setor de telecom chinês conseguiu diminuir pela primeira vez a sua pegada de carbono, na ordem de 7%, ao ampliar o uso de fontes renováveis.
Ainda conforme o estudo, as operadoras consumiram cerca de 300 Terawatt-hora (TWh) de eletricidade em 2024 (aproximadamente 1% do consumo global). O consumo de energia por conexão caiu 3% desde 2019, para 29 quilowatt-hora (kWh) em 2024, em função do uso de equipamentos mais eficientes e da desativação de redes legadas.
O levantamento da GSMA, feito com 110 operadoras responsáveis por 85% das conexões de telefonia móvel em todo o mundo, ainda lembra que o setor ambiciona zerar as emissões líquidas (net zero) até 2050.
Torreiras
O estudo da GSMA ainda sustenta que, levando em conta toda a cadeia de telecom, a maior parte das empresas de torres não tem divulgado os dados relacionados às medidas de descarbonização.
No caso, as 100 maiores torreiras do mundo operam cerca de 4 milhões de torres (dois terços da base global) e consomem aproximadamente 2 bilhões de litros de diesel ao ano. Todavia, apenas um quarto do segmento divulgou publicamente os dados de emissões no ano passado.
Segundo a GSMA, para que a indústria de telefonia móvel alcance o conceito net zero no futuro, além dos esforços das operadoras, será preciso que as empresas de torres aumentem o uso de energia limpa em suas operações.
A associação também apela para que governos reconheçam as redes móveis como infraestrutura crítica, liberando linhas de financiamento para energia renovável e demais medidas de descarbonização, especialmente em países de renda baixa e média.
