Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Setor elétrico deve liderar ofertas de ações no 2º semestre

As empresas de energia elétrica já listadas na B3 devem liderar o mercado de ofertas subsequentes de ações (followon) neste segundo semestre, com perspectiva de captar bilhões de reais. A Engie está lançando uma operação, que deve fechar já na semana que vem e pode chegar a R$ 10,5 bilhões, enquanto a ISA Energia deve levantar R$ 650 milhões. Bancos de investimento acreditam que mais nomes do setor acessem o mercado. Entre os potenciais nomes, são citadas Energisa, CPFL, Eneva e Equatorial. Esta última gastou R$ 5,6 bilhões para ficar com 30% da Copasa, a empresa de saneamento de Minas Gerais. O pagamento foi feito por meio de um financiamento bancário e a oferta de ações seria para pagar os bancos. A companhia já sinalizou que um follow-on está entre seus planos, mas sem se comprometer com datas. Entre as razões que alimentam a expectativa pelas ofertas está o fato de que as empresas de energia elétrica sempre têm necessidade alta de capital, por causa dos investimentos intensivos do setor.

Área é vista com destaque no mercado

Algumas companhias precisam ainda levantar recursos para reduzir dívidas. “O setor elétrico tem empresas boas na comparação com outros segmentos e é um setor para o qual o mercado está relativamente aberto a comprar ações”, ressalta o diretor de um banco de investimento.

• USO.

Na Engie, a oferta deve ter a definição do preço de venda no dia 14. A operação foi desenhada para financiar a aquisição dos 40% da holding francesa na hidrelétrica de Jirau. Além disso, a companhia pretende usar o dinheiro para bancar investimentos e fazer frente a compromissos financeiros.

• POTENCIAL.

O lote base da oferta é de R$ 5,7 bilhões. Dependendo da demanda, um lote adicional pode ser colocado, elevando o tamanho total da operação para R$ 10,5 bilhões. A oferta é coordenada pelo

Itaú BBA (líder), Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley.

• NO RADAR.

Na oferta da Isa, o plano é fazer uma emissão de ações, ou seja, captar recursos para a própria companhia. A Axia Energia (antiga Eletrobras) tem uma fatia de 20,7% do total de ações da Isa e o mercado tinha a expectativa de que fosse ser vendida uma parte desses papéis, mas até agora a operação não prevê essa venda. Para tocar a oferta, a Isa contratou Bank of America, Bradesco BBI e Itaú BBA, além do BTG Pactual.

EM ALTA. •

As ofertas subsequente de ações já levantaram R$ 13,8 bilhões este ano, até maio, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O volume deu um salto em relação ao mesmo período de 2025, quando ficou em R$ 3,5 bilhões, ajudado pela oferta que privatizou a Copasa.

COMPRA… •

A BGR Asset, gestora fundada por ex-executivos da BR Properties, concluiu a captação de R$ 42,8 milhões do seu fundo imobiliário BGR B32. O dinheiro vai para a compra de uma participação adicional no Birmann 32, o Prédio da Baleia, na Faria Lima. Com isso, a participação no fundo passará de 14,5% para 16%, com o complexo inteiro avaliado na faixa de R$ 2,8 bilhões, ou R$ 44 mil por metro quadrado. Na ponta vendedora estava o empresário Rafael Birmann.

…DA BALEIA. •

Birmann é o responsável pela concepção do empreendimento e agora passa a deter 34%. Os outros 50% pertencem à Partage, empresa imobiliária da família Dellape Baptista. O prédio de 125 metros de altura virou símbolo do mercado financeiro de São Paulo, com a escultura de uma baleia no jardim frontal.

DE SAÍDA. •

Em dois anos, o aluguel no B32 subiu 35%, passando de R$ 260 para R$ 350 por m². O maior exemplo dessa demanda aquecida na região foi a velocidade com que a BGR substituiu o Banco Master no edifício. A instituição ocupava cinco andares e deixou o local após ser liquidada. Dois meses depois, o espaço foi ocupado pela Shopee, que já tinha escritório ali e buscava área para expandir. “Quando avisamos que teria espaço vago no B32, a demanda foi três vezes maior”, conta Martin Jaco, sócio da BGR.

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