Itaú é exemplo para mensagem de transformação do setor de telecom
“Hoje telecomunicações é algo imprescindível para o nosso negócio”, diz Bruno Cezzaretto, gerente de telecom do Itaú, durante evento da durante o evento Digital Nation, Summit, organizado pela GSMA nesta terá, 30, em São Paulo. Foi um testemunho contundente de um grupo econômico que entendeu a importância do processo de transformação para a empresa.
“Não vemos telecom apenas commodity, infraestrutura, mas sim uma peça estratégica e importantíssima para o nosso crescimento. O Itaú foi um dos primeiros bancos a ter agências full 5G para entender a tecnologia”, lembrou Cezzaretto. Hoje, o banco tem 1300 pontos de venda de clientes do Itaú que só usam 5G. “A fibra nem sempre pode chegar, tem problema de resiliência… O 5G aumentou a disponibilidade do meu ponto de venda, porque ele não para”.
Outro campo de pesquisa e desenvolvimento, com aplicações práticas já em uso pelo Itau, é em cima de APIs Open Gateway. “Somos o maior usuário de ‘SIM Swap’ com 70 milhões de consultas, e ‘Know your Customer’ com 5 milhões de consultas, para antifraude e onboard, e tudo isso trouxe resultados muito positivos para a gente poder certificar e autenticar o nosso cliente”, relata.
Para Mariana Abreu, superintendente executiva da Conexis, que representa as grandes operadoras, o discurso do Itaú é exatamente a mensagem que o setor de telecomunicações gostaria de ver espalhada em todos os setores da economia. “É muito bom ouvir um relato desses porque é justamente essa a nossa mensagem”, diz a superintendente.
Para Mariana Abreu, a grande questão é gerar valor em cima do investimento e garantir que ele seja sustentável, com o devido valor aos acionistas. “O que a gente faz é tirar as amarras para garantir o investimento, a prestação de serviços, com continuidade e foco na transformação digital. Queremos criar o ecossistema para que outros setores façam os investimentos em conectividade. É um trabalho constante, e temos que gerar condições para que esse impulso inicial aconteça”. Para ela, “o ecossistema precisa de muito diálogo com o regulador e governo para que haja investimentos que tenham retorno. Nosso foco é garantir que esses investimentos sejam feitos para trazer a digitalização dos setores produtivos”.
Cezzaretto, do Itaú, completa: “hoje o Itaú é pioneiro em frentes como o Open Gateway. Mas o benefício está para o Brasil. Open gateway vai acelerar e outras aplicações virão. Ele muda o modelo de telecom, não como infra, mas como modelo de negócio com colaboração e criação conjunta entre dois setores”, disse.
Investimentos e oportunidades
As tradicionais empresas de tecnologia de redes do setor de telecomunicações alertam para os impactos do avanço da Inteligência Artificial em todos os setores da economia, seja como um novo elemento de imapcto no tráfego e na demanda das redes, seja como oportunidade das operadoras de telecomunicações se transformarem.
Segundo Andrea Faustino, CTO da Ericsson, o casamento entre cloud, conectividade 5G e IA é uma grande oportunidade paraa muitos setores da economia, e permitirá a transformação digital em escala até aqui inéditas. ” Não tem como falar nesta transformação sem falar de conectividade. Mas a situaçÃo é única, porque ao mesmo tempo que a conectividade é viabilizadora da IA em todos os setores, ela também é uma oportunidade para as próprias operadoras de telecomunicações a otimizarem as suas redes”.
Para Carlos Roseiro, diretor de marketing para ICT da Huawei, o mundo da tecnologia é de capital intensivo e ciclos de inovações curtos, e por isso a Inteligência Artificial será também um elemento transformador para as empresas de telecomunicações. Mas ele destaca que as operadoras já têm, hoje, condições de avançar nas redes 5G Advanced agregando frequências. “Essa tecnologia será necessária justamente por conta da IA, que cria uma demanda de uplink que nenhuma outra serviço cria. Se era 9:1, estamos falando agora 6:1 na proporção de tráfego. Isso demanda um ajuste nas redes móveis. E o 5G Advanced vem justamente para responder pontualmente às necessidades de tráfego”.
