Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

Anatel vê preço de smartphone como barreira à inclusão digital

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, entende que o principal desafio de inclusão a ser vencido hoje no Brasil é o acesso aos serviços, o que passa pelo custo dos smartphones. A declaração foi feita durante a primeira edição do Digital Nation Summit, organizado pela GSMA em São Paulo nesta terça, dia 30.

Para Baigorri, o desafio que se coloca hoje não é mais de engenharia, no sentido de levar a a rede a todo o Brasil, mas sim o de fazer com que ” essa rede que chega a todo o Brasil seja utilizada pelas pessoas de maneira transformadora”. Segundo Baigorri, outro desafio é que “as pessoas que têm a rede na porta mas dizem que não sabem para que serve ou para o que precisa”.

De acordo com o presidente da Anatel, o custo de acesso ao terminal 5G se coloca como uma grande barreira de acesso. “Metade dos celulares vendidos é 4G puro porque é significativamente mais barato. Então, podemos dizer que o acesso ao smartphone é a principal barreira”.

Para Lucas Gallitto, diretor para a América Latina da GSMA, hoje a carga tributária sobre aparelhos supera 30% do custo final, e esse é um dos temas que deveriam ser endereçados.

Conectividade reduz pobreza, diz GSMA
A GSMA calcula uma relação direta entre o acesso à tecnologia e o desenvolvimento econômico. Segundo estudos da associação sobre os dados brasileiros, a chegada do 4G em municípios mais pobres e áreas rurais têm um impacto de cerca de 5% na redução dos indicadores de pobreza.

Facundo Rattel, economista e especialista em telecomunicações na GSMA Intelligence explica que o Brasil tem ainda hoje 49 milhões de pessoas abaixo da linha de pobreza e 7 milhões em extrema pobreza, e a conectividade pode ser uma habilitadora para redução destes índices. ” Nossa conclusão é que os resultados são mensuráveis: quanto mais presente o uso do 4G, melhor os indicadores de pobreza. Existem efeitos diretos, e por isso as políticas de conectividade devem ser olhadas como políticas de inclusão social”.

Para John Giusti, diretor gerulatório global da GSMA, na América Latina pode-se estimar que as telecomunicações tragam um benefício de US$ 700 bilhões ao PIB, o que por si só dá a dimensão do peso da conectividade para a inclusão econômica.

Ele lembra que hoje o Brasil tem um elevado índice de penetração das redes digitais, mas chegou-se em um ponto em que a ampliação desta infraestrutura tem um custo muito maior. “Ir para 95% de cobertura custa o dobro do custo de chegar aos 93% atuais. Por isso políticas públicas são necessárias”.

Para o conselheiro substituto da Anatel, Nilo Pasquali, existe ainda o desafio de qualificar a conectividade, pois hoje há uma quantidade grande de pessoas que estào conectadas mas não fazem uso relevante do acesso, em aplicações que possam contribuir com o seu desenvolvimento econômico ou social.

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