Marca chinesa de celular, Honor pesquisa o mercado local
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A fabricante chinesa de eletroeletrônicos Honor, uma das líderes em vendas de celulares na China, ensaia uma estreia no disputado mercado brasileiro de celulares, para abrir espaço entre marcas que lideram o mercado como Samsung, Motorola, Apple e as conterrâneas chinesas Xiaomi, Infinix, Realme e, mais recentemente, a Oppo.
“Estamos estudado o consumidor e o ambiente do Brasil, mas ainda não iniciamos negócios no país”, disse um porta-voz da empresa ao Valor. “Vamos esperar a hora certa.”
O consumidor tende a trocar o aparelho por uma marca que já usa” — Reinaldo Sakis
O momento é de recuperação das vendas de celulares no Brasil. As 14,5 milhões de unidades vendidas no varejo no primeiro semestre representam alta de 1,2% ante a primeira metade de 2023, segundo a consultoria Nielsen IQ. No primeiro trimestre foram vendidas 7,4 milhões de unidades no varejo.
As vendas trimestrais dos fabricantes para distribuidores e varejistas, por sua vez, somaram 11,5 milhões de unidades no país, entre janeiro e março, alta de 21% em base anual, segundo os dados mais recentes da consultoria IDC Brasil.
Apesar do avanço das vendas, o mercado brasileiro é considerado saturado, elevando o desafio para entrantes pouco conhecidos. “É um mercado que cresce por substituição de celulares quebrados ou ultrapassados”, alerta o diretor de pesquisas da consultoria IDC na America Latina, Reinaldo Sakis. “Geralmente, o consumidor tende a trocar o aparelho por uma marca que já usa, então não ter uma marca conhecida é uma desvantagem”.
Para se estabelecer no país, a Honor terá que fazer um investimento pesado em construção de marca. Criada em 2013 como uma divisão da gigante Huawei, a empresa foi vendida em 2020, após o embargo aos produtos chineses pela gestão Trump. Quem comprou foi o consórcio Shenzhen Zhixin Technology Co., Ltd., que tem subsídios do governo chinês.
No fim de julho, a empresa realizou um evento em São Paulo para apresentar um celular com tela dobrável a jornalistas e influenciadores, mas a data de chegada ao país não está confirmada. A estratégia, segundo o porta-voz, é se aproximar de formadores de opinião para tornar a marca conhecida pelo brasileiro, antes da estreia.
A Honor argumenta que seu diferencial é alta tecnologia e uma linha de modelos enxuta, “para não confundir o consumidor”. No entanto, para se diferenciar aos olhos do brasileiro, entre as opções de smartphones com sistema operacional Android à venda, a empresa tem que preparar um investimento significativo, de médio e longo prazo, em construção de marca no Brasil, observa o diretor de atendimento de Tecnologia e Bens Duráveis da consultoria Nielsen IQ GfK Brasil, Ricardo Moura.
“Considerando que mais de 60% das vendas de smartphones são presenciais, a marca precisa firmar acordos com varejistas para ter espaço em prateleira, contratar promotores nas lojas, ter acordos com operadoras, entre outras ações”, cita o especialista. “É um jogo difícil, que requer consistência. Sem consideração de marca, a empresa não gera vendas”.
A Honor não deixou claro se pretende fabricar aparelhos localmente, se ingressar no Brasil. “Vamos sempre operar de acordo com as regras e os padrões locais do mercado”, disse o porta-voz.
Atualmente, a Honor vende seus aparelhos fabricados em Shenzhen, na China, em vizinhos latino-americanos do Brasil, incluindo o México, onde a empresa possui escritório, Chile, Colômbia, Peru, Bolívia, Equador, Uruguai e Paraguai.
Por aqui, as principais marcas do mercado possuem fábricas próprias ou parcerias de manufatura local. As exceções são aparelhos da Xiaomi e Realme.
O avanço das vendas ilegais de celulares é outra barreira para entrantes no mercado brasileiro. No primeiro trimestre, foram vendidos 2,9 milhões de celulares sem recolhimento de impostos no país, informa a consultoria IDC. O volume representou 25% das vendas totais de 11,5 milhões de unidades entre janeiro e março. No primeiro trimestre de 2023, os 900 mil aparelhos irregulares representaram 9,5% das vendas totais (9,5 milhões de unidades).
