Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

‘Podemos oferecer energia melhor e mais barata’

Referência global na produção de energia limpa, o Brasil gera 86,8% da sua energia elétrica a partir de fontes renováveis, de acordo com dados do Balanço Energético Nacional (BEN), publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo

Ministério de Minas e Energia. No entanto, existem muitas oportunidades que o País não conseguiu aproveitar ainda, segundo Paulo Pedrosa, presidente executivo da Abrace Energia, entidade que representa mais de 50 grandes grupos industriais responsáveis por cerca de 50% do consumo de eletricidade da indústria brasileira.

Pedrosa diz que o País poderia “oferecer uma energia melhor, mais limpa e mais barata para a nossa sociedade e dar maior competitividade para o País.” Economista, Pedrosa é um dos painelistas confirmados no Energy Summit Global, evento global de inovação e empreendedorismo nos setores de energia e sustentabilidade. Com parceria do Estadão ,o festival deve reunir mais de 12 mil participantes, 3,3 mil empresas e 300 palestrantes entre os dias 23 e 25 de junho no Rio.

O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Estamos aproveitando bem as vantagens que isso traz ou desperdiçando as oportunidades? Deveríamos ter uma estratégia de desenvolvimento baseada numa energia limpa e barata. Mas o enfoque na competitividade é tão importante quanto o foco na energia limpa. Nossa energia é barata e renovável, sem as condições atribuladas do Oriente Médio. Infelizmente, estamos estragando um pouco isso. Há muito tempo, o País perdeu o protagonismo da sua política energética, que passou a sofrer muita influência

“Há muito tempo, o País perdeu o protagonismo da sua política energética, que passou a sofrer muita influência política de decisões tomadas no Congresso e mesmo na esfera do Executivo”

política de decisões tomadas no Congresso e mesmo na esfera do Executivo.

Pode dar um exemplo?

Por causa do modelo de subsídios, tivemos uma explosão de painéis solares, que se espalharam pelo País de forma desordenada. Eles se apresentam como uma energia limpa e barata, mas estão sujando e encarecendo a energia. Tem tanta energia nos momentos de sol que o operador do sistema (ONS) precisa desligar geradores que estão dando prejuízo. Há risco de apagão na hora em que tem muito sol, porque está sobrando energia. E depois, quando o sol se põe, temos risco de apagão porque o País não tem potência para equilibrar o sistema. Poderíamos oferecer uma energia melhor, mais limpa e mais barata para a nossa sociedade e dar maior competitividade para o País.

Como é que a energia pode ser uma vantagem no debate sobre inteligência artificial e data centers?

Se a gente tiver aqui uma energia limpa, barata e segura, vamos trazer o data center. O data center é muito bacana, mas nós também vamos produzir plástico verde, exportar minério de ferro com maior valor agregado e exportar ligas de alumínio. O Brasil tem uma história ligada à exportação de produtos de pouco valor agregado, como produtos minerais ou agrícolas básicos. Esse salto da industrialização, a partir da energia barata, será importante porque gera empregos de qualidade e recursos de impostos para as políticas públicas.

Compartilhe: