Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Teles, torreiras e mercado imobiliário precisam recalibrar relação, diz Vivo

Para a Vivo, a relação entre operadoras móveis, empresas de torres e o mercado imobiliário precisa ser recalibrada no Brasil, como forma de equilibrar a necessidade de densificação de redes e práticas comerciais que atravancam a instalação de infraestrutura.

A bola foi levantada por Rogerio Takayanagi, VP de engenharia e serviços ao cliente da tele, durante o evento TELETIME Tec, realizado nesta quinta-feira, 11, em São Paulo.

“O bolo de dinheiro disponível para pagar por sites [para torres] está travado e não vai subir”, alertou o executivo. “Não tem mais espaço para leasing nos balanços das operadoras e as quantidade de sites têm que subir”, pontuou.

No cenário, Takayanagi avalia que o valor do aluguel cobrado pelas torreiras deverá ser recalibrado e que práticas comerciais comuns no mercado imobiliário devem ser repensadas – como por exemplo, a cobrança de luvas para contratos de infraestrutura por parte de venues, como shoppings e aeroportos.

“Tinha que ser o contrário: eles [as venues] que tinham que pagar para a gente estar lá”, afirmou o executivo da Vivo, ao relatar que a relação já se inverteu a favor das teles em mercados como os Estados Unidos.

“É responsabilidade do setor não aceitar […] A gente não vai entrar em um site caro, não podemos ensinar ao mercado que isso funciona”, disse Takayanagi.

No mesmo evento, André Sarcinelli, CTO da Claro, alertou que há muitos agentes tentando ganhar dinheiro no segmento, inclusive a partir da aquisição de contratos de imóveis aptos para torres. A empresa tem expectativa teles e parceiros caminhem rumo a uma autorregulação do tema.

V.tal promete ajudar teles
Já Lucas Aliberti, CCO da V.tal, relatou que a empresa começou a atuar no segmento de infraestrutura para redes móveis justamente por conta de dificuldades comerciais enfrentadas pelas teles.

“Buscamos educar o mercado e temos visto soluções muito inteligentes sendo feitas, como teto de preços”, relatou Aliberti, ao dizer que empresas de compartilhamento podem assumir parte dos riscos (como a cobrança de luvas) da relação com as venues.

“Há situações onde a venue está ganhando muito dinheiro e a gente tem papel de ajudar as operadoras nessa coordenação. O real estate tem que tangibilizar o valor de rede de qualidade, pois o que ele ganha com ela é maior do que ele ganha com aluguel. Imagina ir no shopping e não ter sinal de nenhuma operadora? A chance de você não voltar é grande”.

Compartilhe: