Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026

Teles brasileiras se preocupam com monopólio da SpaceX e Starlink

As operadoras de telecom brasileiras Claro e Vivo encaram com cautela o risco de monopólio da SpaceX (dona da constelação de satélites Starlink) no segmento especial – embora também considerem relevante a possibilidade de integrar conectividade satelital nos serviços móveis.

A avaliação foi feita por executivos das empresas nesta quinta-feira, 11, durante o evento TELETIME Tec realizado em São Paulo. “Na questão da competição, é muito ruim ver o domínio da SpaceX e da Starlink nesse mercado”, avaliou o André Sarcinelli, diretor de tecnologia (CTO) da Claro, ao ser questionado sobre o tema.

“Temos que ter cuidado com monopólios”, sinalizou no mesmo evento Rogerio Takayanagi, VP de engenharia e serviços ao cliente da Vivo. “Esperamos ver mais alternativas tanto de LEO [constelações de baixa órbita] quanto de D2D [conectividade satelital direto no dispositivo] e backhaul”, sinalizou o executivo.

“A boa notícia é que apesar de ter um único player com diferencial, todas constelações estão se beneficiando disso”, prosseguiu Takayanagi, em referência às tecnologias de lançamento da SpaceX que fizeram o preço de envio de satélites ao espaço despencar, e que hoje são usadas inclusive por concorrentes.

Tema complexo
No debate, as empresas consideraram a conectividade diretamente do satélite como importante complemento às redes de telecom, embora o tema possua implicações regulatórias complexas.

“Se eles querem operar em diversos países, vão precisar de frequências para fazer conexão com as redes. Hoje os satélites iniciaram a operação usando frequências das MNOs [operadoras móveis], com acordos”, pontuou Sarcinelli, da Claro.

Porém, o próprio executivo nota que o setor espacial está investindo em versões diferentes de satélites que devem usar espectro próprio (como em banda S ou L). Este é o caso da SpaceX nos Estados Unidos.

“Mas mesmo não usando a frequência das operadoras, o ambiente indoor vai ser sempre um desafio”, apontou Sarcinelli. Neste sentido, caso queiram competir com as teles, empresas como a SpaceX/Starlink precisariam realizar robustos investimentos também em infraestrutura terrestre.

Mudança de paradigma
Já Lucas Aliberti, CCO da operadora de infraestrutura V.tal, revelou no TELETIME Tec que as constelações de satélites já se tornaram uma avenida de crescimento importante – e inesperada – dentro da empresa.

A operadora tem fornecido soluções de backbone terrestre de altíssima capacidade para conectar gateways do segmento no Brasil, relatando “gateways com mais de um terabit de capacidade e ritmo de expansão surreal”.

Pela Vivo, Takayanagi citou efeitos outros positivos do novo cenário. “Como o preço [de lançamentos] despencou, isso reflete em paradigmas como backhaul satelital, que antigamente custava um absurdo e que agora está ficando mais barato do que micro-ondas em algumas áreas”.

“Como a gente vive uma pressão grande [por cobertura] nas rodovias, o complemento de cobertura vai ser cada vez mais parte das redes”, apostou o executivo.

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