Com recorde nas exportações, indústria eletroeletrônica do RS cresce 12% em 2025
Setor registrou ainda crescimento de 32% nas exportações e 5% na geração de empregos, segundo pesquisa da Abinee-RS
Dirigentes da Abinee-RS destacaram resultados positivos registrados pela indústria eletroeletrônica do RS em 2025Foto : Mauro Schaefer
A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica Regional Rio Grande do Sul (Abinee-RS) divulgou nesta quinta-feira, em reunião-almoço realizada em Porto Alegre, dados de uma pesquisa de desempenho sobre o setor em 2025. Os resultados apontam um crescimento de 12% no faturamento das indústrias eletroeletrônicas que atuam no Estado, puxado pelo registro de recorde nas exportações no ano passado.
Os dados foram apresentados pelo diretor regional da Abinee-RS, Régis Haubert, e pelo gestor de projetos da associação, Antônio Costa Sobrinho. Em 2025, as empresas do setor alcançaram um faturamento de R$ 18,2 bilhões, superando os R$ 16,1 bilhões em 2024, com um aumento de 12%. O número foi influenciado pelas exportações. O valor comercializado para o exterior chegou a US$ 665,1 milhões em 2025, com um crescimento de 32% em relação ao ano anterior.
Segundo Haubert, o resultado possui influência direta com a alta do dólar, mesmo com impactos relacionados com o tarifaço dos EUA. O segmento de geração, transmissão e distribuição foi o que mais cresceu, puxando também as exportações. O estudo também apontou o crescimento de 5% na geração de empregos em 2025. Atualmente, o setor conta com 25,8 mil trabalhadores formais.
O RS conta com 256 indústrias no setor de eletroeletrônica, espalhadas em 32 municípios gaúchos. Dois terços delas estão localizadas no eixo entre Porto Alegre e Novo Hamburgo. De acordo com a pesquisa da Abinee-RS, o setor representa atualmente 2,4% do PIB do Rio Grande do Sul e responde por 3% das exportações industriais do segmento no Estado.
Apesar disso, o diretor regional citou ainda que, até o momento, o ano de 2026 vem registrando uma leve retração no setor. Um dos motivos está nas dificuldades vividas no agronegócio. “Estamos com uma queda grande, principalmente nos implementos agrícolas. E isso tem reflexos na eletroeletrônica, pois somos fornecedores para essa indústria”, contou Haubert.
A secretária estadual de Inovação, Ciência e Tecnologia do RS (Sict), Lisiane Lemos, participou do encontro. Ela destacou as áreas do setor eletroeletrônico que são identificados como essenciais para o desenvolvimento do RS e apontou ainda os investimentos feitos pelo Estado para fomentar a indústria e a qualificação profissional.
O presidente executivo da Abinee no país, Humberto Barbato, também esteve na reunião, citando ações em nível nacional que impactam o setor. Entre elas, ele considerou os impactos negativos relacionados com o aumento de custos após a guerra no Oriente Médio, a inflação preocupante no Brasil e a alta taxa de juros, que dificultam o acesso ao crédito.
Barbato criticou ainda a falta de isonomia após alterações no texto da Reforma Tributária, na qual gerou impeditivos para que estados consigam competir em atratividade com a Zona Franca de Manaus. “Estamos começando a fazer esse assunto chegar à tona e corrigir o tema no Congresso Nacional”, avaliou o presidente executivo.
Além disso, ele destacou a necessidade de que as indústrias eletroeletrônicas sejam as principais fornecedoras de equipamentos para a construção de data centers, neste momento de altos investimentos no setor. “É preciso utilizar de produtos local para a implementação dessas estruturas aqui. Se não aproveitarmos esse cenário, vamos perder o bonde da história”, concluiu Barbato.
