IoT e Inteligência Artificial: por que a evolução da conectividade será determinante para decisões estratégicas nas empresas
A Inteligência Artificial (IA) consolidou-se, nos últimos anos, como uma das principais alavancas de transformação nos negócios. No entanto, à medida que seu uso se expande, torna-se evidente uma limitação estrutural: a qualidade e a origem dos dados que alimentam esses sistemas.
Grande parte das aplicações atuais de IA baseia-se em dados disponíveis na internet ou em ambientes já digitalizados. Embora relevantes, esses dados representam apenas uma fração da realidade operacional das empresas. A maior parte dos processos críticos — especialmente em setores como logística, indústria, agronegócio, energia e mobilidade — ainda ocorre no mundo físico e depende da evolução da tecnologia para gerar dados em tempo real.
Nesse contexto, a Internet das Coisas (IoT) emerge não apenas como uma tendência tecnológica, mas como a base essencial para a construção de uma Inteligência Artificial verdadeiramente estratégica.
A limitação atual da Inteligência Artificial nos negócios
A eficiência da Inteligência Artificial está diretamente relacionada à qualidade, volume e relevância dos dados disponíveis. No entanto, quando restrita a dados digitais tradicionais — como históricos de sistemas corporativos (ERP, CRM) ou interações online — a IA tende a operar de forma reativa, baseada em registros do passado.
Essa limitação impede que as empresas avancem para modelos preditivos mais robustos, capazes de antecipar falhas, otimizar operações em tempo real e gerar vantagem competitiva sustentável.
Segundo estimativas da International Data Corporation, até 2025, cerca de 80% dos dados gerados no mundo estarão fora de data centers tradicionais — ou seja, serão originados em dispositivos, sensores e ambientes físicos. Ainda assim, grande parte desse volume permanece subutilizada.
Esse descompasso entre onde os dados são gerados e onde são efetivamente capturados e analisados representa um dos principais gargalos para a evolução da Inteligência Artificial nas empresas.
IoT: a transformação do mundo físico em dados estratégicos
A Internet das Coisas redefine essa dinâmica ao permitir a captura contínua de dados diretamente da operação. Sensores, dispositivos conectados e sistemas embarcados passam a traduzir o comportamento do mundo físico em informações estruturadas e acionáveis.
Esse movimento não é marginal. De acordo com projeções da Gartner, o número de dispositivos conectados no mundo ultrapassará 25 bilhões nos próximos anos, impulsionado principalmente por aplicações corporativas.
Além disso, a McKinsey & Company estima que o impacto econômico do IoT pode atingir entre US$ 5,5 trilhões e US$ 12,6 trilhões por ano até 2030, considerando ganhos de eficiência, redução de custos e novos modelos de negócio.
Esses números evidenciam uma mudança estrutural: dados operacionais, antes inacessíveis, passam a ser capturados em escala, criando uma nova base para a tomada de decisão.
O desafio histórico da conectividade
Apesar do enorme potencial da Internet das Coisas, o crescimento do IoT em larga escala sempre esbarrou em barreiras estruturais ligadas à conectividade. Durante muitos anos, as redes de telecomunicações foram desenvolvidas com foco na comunicação entre pessoas, e não na conexão massiva de dispositivos. Faltavam infraestrutura, protocolos e faixas dedicadas capazes de suportar operações IoT com eficiência, baixo consumo de energia, ampla cobertura e alta estabilidade. Tecnologias como NB-IoT e LTE-M (CAT-M), hoje fundamentais para viabilizar aplicações IoT em escala, ainda não estavam disponíveis ou maduras o suficiente para atender às demandas do mercado.
Modelos tradicionais baseados em chips físicos (SIM cards) impõem limitações operacionais relevantes, como:
Dependência de instalação e manutenção presencial
Ausência de baterias de longa duração
Necessidade de substituição física em caso de falha
Custos logísticos elevados
Baixa flexibilidade para gestão de redes
Um exemplo recorrente está nos sistemas de rastreamento veicular. Em muitos casos, a falha de conectividade exige o deslocamento de técnicos até o ativo, gerando custos adicionais e indisponibilidade operacional.
Esse modelo, quando replicado em milhares de dispositivos, compromete a escalabilidade e a viabilidade econômica de projetos de IoT mais amplos.
E hoje, mesmo com a evolução das redes móveis e o avanço de tecnologias como NB-IoT e LTE-M, a conectividade ainda continua sendo um dos principais desafios para a expansão do IoT. Muitas operações acontecem em áreas remotas, rodovias, regiões rurais, marítimas ou locais com baixa cobertura celular, criando limitações para aplicações que dependem de comunicação contínua e confiável. É justamente nesse contexto que começam a ganhar força as tecnologias de conectividade via satélite e NTN (Non-Terrestrial Networks), ampliando a cobertura para além da infraestrutura terrestre tradicional e permitindo que dispositivos IoT permaneçam conectados praticamente em qualquer lugar.
eSIM: a evolução da conectividade e o destravamento do IoT
A introdução do eSIM representa um avanço significativo nesse cenário.
Ao substituir o chip físico por um componente embarcado e programável remotamente, o eSIM elimina a necessidade de intervenções presenciais e amplia a flexibilidade operacional.
Entre seus principais benefícios, destacam-se:
Ativação e reconfiguração remota de perfis de conectividade
Redução de custos operacionais e logísticos
Maior durabilidade e confiabilidade dos dispositivos
Capacidade de operar em múltiplas redes de forma dinâmica
Mais do que uma evolução técnica, o eSIM viabiliza a escalabilidade do IoT, permitindo que dispositivos sejam conectados desde a sua origem, sem barreiras operacionais.
Isso representa uma mudança estrutural na forma como empresas podem coletar e utilizar dados.
Dados operacionais como diferencial competitivo
Com a expansão do IoT e a simplificação da conectividade, as empresas passam a ter acesso a um novo tipo de ativo: dados operacionais em tempo real.
Esses dados permitem uma compreensão mais profunda da operação, incluindo:
Performance de equipamentos e ativos
Condições ambientais e variáveis externas
Padrões de uso e comportamento
Pontos de ineficiência e desperdício
Ao serem integrados a modelos de Inteligência Artificial, esses dados elevam significativamente a capacidade analítica das organizações.
A IA deixa de atuar apenas como ferramenta de análise histórica e passa a operar de forma preditiva e prescritiva, orientando decisões em tempo real.
A construção de uma Inteligência Artificial mais estratégica
A convergência entre IoT e Inteligência Artificial marca uma nova fase na transformação digital.
Enquanto a IA depende de dados para gerar valor, o IoT expande a base desses dados, trazendo para o ambiente digital informações antes inacessíveis.
Essa integração possibilita avanços concretos, como:
Manutenção preditiva em ativos críticos
Otimização de cadeias logísticas
Redução de custos operacionais
Desenvolvimento de novos produtos e serviços baseados em uso real
Tomada de decisão orientada por dados em tempo real
Nesse cenário, a Inteligência Artificial deixa de ser um recurso de apoio e passa a ocupar uma posição central na estratégia das empresas.
A decisão entre só olhar para o passado e construir um futuro orientado por dados
A evolução da Inteligência Artificial está diretamente ligada à evolução da conectividade e à capacidade das empresas de capturar dados do mundo físico.
Sem IoT, a IA permanece limitada a uma visão parcial da realidade. Sem conectividade eficiente, o IoT não escala.
Tecnologias como o eSIM representam, portanto, um elemento-chave nessa transformação, ao remover barreiras operacionais e viabilizar a conexão massiva de dispositivos.
Nos próximos anos, a vantagem competitiva não estará apenas na adoção de Inteligência Artificial, mas na capacidade de alimentar esses sistemas com dados relevantes, exclusivos e em tempo real.
Empresas que compreenderem esse movimento e investirem na integração entre IoT e IA estarão mais preparadas para construir operações mais eficientes, resilientes e orientadas por dados.
Mais do que acompanhar a transformação digital, essas organizações estão definindo seu futuro no mercado.
Conectar dispositivos é simples. Escalar operações conectadas é o verdadeiro desafio.
Conectar um dispositivo IoT, hoje, já não é o principal desafio do mercado. Sensores, rastreadores, medidores e equipamentos embarcados conseguem ser ativados com relativa facilidade. O verdadeiro desafio está em escalar essa conectividade com previsibilidade, estabilidade e eficiência operacional. Projetos corporativos envolvem milhares de dispositivos distribuídos em diferentes regiões, operadoras e tecnologias, fazendo com que a conectividade deixe de ser apenas um recurso técnico e passe a ocupar um papel estratégico dentro das operações.
Nesse cenário, a gestão manual da conectividade se torna um gargalo relevante. Processos como ativação, cancelamento, reprovisionamento de linhas, controle de consumo e atualização cadastral ainda exigem, em muitas empresas, intervenções humanas e integrações descentralizadas. Quando replicadas em larga escala, essas atividades geram retrabalho, aumento de custos operacionais, falhas de gestão e baixa eficiência, especialmente em setores como logística, rastreamento, utilities, indústria e agronegócio.
Por isso, a evolução do IoT não depende apenas de cobertura ou disponibilidade de rede, mas da construção de um projeto tecnológico de conectividade. Mais do que conectar dispositivos, torna-se necessário integrar a conectividade aos processos e sistemas das empresas. Plataformas de gestão passam a desempenhar um papel central ao permitir automações, integrações com ERPs e CRMs, controle operacional em tempo real e gestão inteligente do ciclo de vida das linhas e dispositivos.
Na prática, isso significa que ações operacionais podem acontecer de forma automática, reduzindo a dependência manual e aumentando a eficiência. Um cancelamento em um sistema de gestão, por exemplo, pode suspender automaticamente uma linha IoT, sem necessidade de intervenção humana ou higienização manual de bases. Nesse contexto, plataformas como o V.Eye, da Virtueyes, representam uma evolução importante ao transformar a conectividade em uma camada integrada de controle, automação e gestão operacional para projetos IoT em escala.
