Quinta-feira, 25 de Junho de 2026

Nio investe em dados para captação e retenção de base de banda larga

A Nio, provedor de banda larga do grupo V.tal oriundo da compra da carteira de clientes da Oi Fibra, tem investido no uso de dados para aperfeiçoar diversas camadas de sua operação. A empresa, inclusive, passou a adotar aplicações de Inteligência Artificial (IA) como forma de obter ganhos de produtividade, atuar de forma preditiva e se relacionar de forma mais assertiva com os clientes.

Em entrevista ao TELETIME, a diretora de Dados da Nio, Patrícia Pasquali, explica que, em um primeiro momento, os investimentos em dados tiveram caráter estrutural, com foco na formação de equipes especializadas e em atividades que trouxessem ganhos de eficiência, como redução de fricções operacionais e antecipação de problemas.

Na atualidade, a Nio – em operação como provedor de banda larga desde fevereiro do ano passado – se vê em uma segunda etapa no trabalho com dados, de um modo mais orientado para captação e retenção de clientes.

“Agora, avançamos para a aplicação de soluções de inteligência artificial orientadas a ganhos concretos de produtividade e ao fortalecimento da governança. Esse movimento é guiado por uma compreensão cada vez mais aprofundada das necessidades dos nossos clientes, o que nos permite direcionar melhor nossas iniciativas, melhorando nossa capacidade de atuar de forma mais preditiva com impacto direto na experiência do cliente, reduzindo falhas e melhorando a consistência do serviço”, afirma Patrícia.

De acordo com a executiva, o provedor tem feito uma “leitura mais precisa do comportamento do cliente”, o que “no momento certo permite identificar oportunidades com mais assertividade”.

A Nio, vale lembrar, é dona de uma base de 3,2 milhões de assinantes, a terceira maior do mercado de banda larga. Inclusive, segundo o balanço do primeiro trimestre da V.tal, o provedor registrou “net adds positivo em abril de 2026”, interrompendo um ciclo de perda de clientes.

“Conseguimos entender perfis de uso, ajustar ofertas e melhorar a comunicação para torná-la mais aderente à necessidade real, o que tende a aumentar taxas de conversão”, ressalta Patrícia, sobre o uso de dados na captação de assinantes.

A diretora ainda afirma que “essa mesma lógica contribui para retenção, criando um ciclo mais eficiente de crescimento, baseado em melhor uso de dados para aprofundar nosso entendimento das necessidades dos clientes”.

Data lake
Segundo Patrícia, um dos diferenciais do uso de dados na Nio se deve à construção de um data lake (na prática, um repositório projetado para armazenar grandes volumes de dados brutos).

Ela explica que o sistema permite consolidar informações em uma única plataforma e deixá-la acessível para diversas áreas da empresa. A ferramenta, como consequência, encurta o tempo entre a análise e a decisão.

“Na prática, isso possibilita desde antecipar instabilidades na rede até entender padrões de uso e ajustar a experiência de forma contínua”, salienta a executiva. “O principal ganho é reduzir o tempo entre identificar um problema e agir sobre ele, aumentando a qualidade do serviço e impactando diretamente na experiência dos nossos clientes”, complementa.

Conforme a CDO da Nio, o trabalho com dados ainda deve ser aprofundado na empresa, buscando tornar a operação cada vez mais preditiva e integrada.

“Isso inclui evoluir o uso de inteligência artificial, ampliar a autonomia das áreas no uso de dados e fortalecer ainda mais a governança e a qualidade das informações”, pontua.

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