TelCables quer expandir em data centers e alerta sobre concorrência em cabos submarinos
A operadora de infraestrutura TelCables, subsidiária local da Angola Cables, tem planos para expandir a sua atuação no setor de data centers. Um dos projetos prevê a ampliação do AngoNAP II, unidade localizada em Fortaleza com capacidade para 400 racks.
Segundo o CEO, Rafael Lozano, a iniciativa já poderia ter saído do papel, mas a empresa prefere aguardar o desfecho do Redata, programa que prevê redução de impostos para data centers, antes de tomar a decisão de investimento.
“Poderíamos estar construindo o data center amanhã, mas, se o cliente tem que importar o equipamento para o seu serviço, em lugar de importar dez racks, importa cinco – e o business plan não se suporta”, afirma o executivo, em entrevista ao TELETIME em Destaque, realizada durante o Abrint Global Congress (AGC) 2026, em São Paulo.
Na avaliação da Lozano, Fortaleza deixou de ser apenas um ponto de ancoragem de cabos submarinos e se tornou um “hub de dados”. Com isso, a empresa tem avaliado novos investimentos na região, entendendo que há uma demanda reprimida para ser atendida.
Além disso, a TelCables quer ampliar os pontos de presença (PoPs) pelo País – em março, inaugurou três em Belo Horizonte. Lozano destacou que esse tipo de investimento é feito levando em conta parcerias com provedores de serviços de Internet (ISPs), uma vez que a intenção é “oferecer serviços mais perto de onde são consumidos”.
“Sempre que abrimos uma região, vamos aos principais pontos de presença dos provedores locais. A TelCables cresce em parceria e o nosso forte são os ISPs”, pontuou.
Mudanças no mercado de cabos submarinos
O CEO destacou que o mercado de cabos submarinos, carro-chefe da empresa, vem crescendo de 20% a 30% ao ano. Em geral, os cabos são projetados para uma vida útil de 25 anos. Contudo, o aumento do tráfego de dados tem feito com que “a vida comercial deles seja consumida muito mais rápido”, indicou Lozano.
O executivo ainda apontou que as operadoras de cabos precisam se preparar para uma potencial mudança no mercado. Acontece que os hyperscalers, os grandes clientes dos cabos submarinos, estão lançando suas próprias infraestruturas – ou seja, praticamente se tornando concorrentes no setor.
“Isso acaba abalando todas as empresas de cabos submarinos de capital privado. Você junta forças para manter uma neutralidade na rede submarina. Mas, se continuar do jeito que está virando, corremos o risco de criar um oligopólio”, alertou.
Confira, a seguir, a entrevista na íntegra.
