60% do mercado brasileiro de banda larga fixa é atendido por ISPs, diz pesquisa da Ookla
O mercado brasileiro de internet oferece uma perspectiva única sobre a concorrência no setor de telecomunicações: quase 60% do mercado brasileiro de banda larga fixa é atendido por empresas menores e regionais. Isso contrasta fortemente com a maioria dos mercados de internet em todo o mundo, que geralmente são controlados por um pequeno grupo de grandes empresas.
Agora, os órgãos reguladores do Brasil estão avançando com uma série de novas regras que podem mudar o ambiente que deu origem a esses provedores de serviços de internet (ISPs) regionais, numerosos e diversificados. Os dados da Ookla oferecem uma visão do desempenho de alguns desses ISPs regionais, justamente quando a consolidação do mercado parece estar prestes a se acelerar.
Principais conclusões:
A OCDE calculou, no final de 2024, que 23,03% dos habitantes do Brasil tinham banda larga fixa, percentual inferior à média da associação, de 36,54%. No entanto, 18,7% dos habitantes do Brasil utilizavam fibra óptica, acima da média da associação, de 17,1%. Portanto, nas localidades onde o serviço é acessado, os provedores brasileiros de internet fixa oferecem conexões de fibra óptica de alta velocidade.
Em uma avaliação dos principais provedores de internet regionais do Brasil, empresas como Brisanet e Algar Telecom oferecem velocidades médias de download inferiores à média medida pelo Speedtest para todos os provedores no Brasil. Já ao analisar os índices de velocidade de download dos 10% melhores e piores provedores do mercado, empresas como Blink Telecom e Desktop oferecem serviços consistentemente acima da média.
Uma análise mais detalhada da região de Santa Catarina, no Brasil, revela a alta competitividade em áreas regionais do país. Ateky, P4net Telecom, Unetvale, Serra Geral e RVT estão entre os principais provedores de menor porte dessa região, cada um com cerca de 1% do mercado em Santa Catarina. E todos oferecem velocidades comparáveis ??às médias nacionais, com a RVT se destacando em termos de velocidade média de download e upload.
O mercado de telecomunicações fixas do Brasil está passando por mudanças. A consolidação está ganhando força, principalmente após o recente anúncio da Claro sobre a aquisição de uma participação majoritária na Desktop (outra importante provedora de internet regional). O negócio aguarda aprovação dos órgãos reguladores brasileiros.
Avaliando a posição do Brasil no mundo digital
O Brasil ocupa a 26ª posição no ranking global de velocidade de banda larga fixa, segundo o Speedtest Global Index . A velocidade média de download em todo o país atingiu 221,53 Mbps em março, mais que o dobro da média global de 120,52 Mbps.
Mas existem muitas outras maneiras de segmentar o mercado brasileiro de serviços de internet. Por exemplo, a DataReportal cita os resultados da Kepios, que apontam para 185 milhões de usuários de internet no Brasil em outubro de 2025 (em uma população de 213 milhões).
A União Internacional de Telecomunicações (UIT), por sua vez, relata que 83,44% da população brasileira usava a internet em 2024. Mas essa é uma medição do número total de domicílios que podem acessar a internet por qualquer meio possível: se um membro de um domicílio possui um telefone celular com conexão à internet e disponibiliza essa conexão para todos os moradores, então o domicílio é considerado coberto na contagem da UIT.
Uma análise mais específica do cenário digital brasileiro – assinaturas de serviços de banda larga fixa – vem da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), uma organização composta por 38 países membros que trabalha para estabelecer padrões internacionais baseados em evidências. A OCDE calculou que, no final de 2024, 23,03% dos habitantes do Brasil possuíam banda larga fixa, percentual inferior à média da associação, de 36,54%.
No entanto, 18,7% dos habitantes do Brasil possuíam assinatura de internet de fibra óptica, acima da média da associação, que é de 17,1%. Isso é notável, considerando que as redes de fibra óptica geralmente oferecem serviços de internet de alta velocidade. De fato, a Prática Global de Desenvolvimento Digital do Banco Mundial está promovendo a tecnologia de fibra óptica para melhorar a conectividade em toda a região.
Esses resultados indicam que os provedores brasileiros de internet fixa ainda têm muito espaço para crescimento e expansão, de acordo com os analistas financeiros da New Street Research , à medida que atualizam as tecnologias mais antigas de cobre e cabo para conexões de fibra óptica mais eficientes e expandem o serviço para mais localidades.
De forma geral, a conclusão que podemos tirar de todos esses dados e cálculos é que, nas localidades onde oferecem serviço, os provedores brasileiros de internet fixa realmente fornecem conexões rápidas. A velocidade média de download da internet fixa no Brasil, segundo o Speedtest Global Index, está muito à frente de países vizinhos como o México (104,25 Mbps) e de países com economias semelhantes em nível global, como a Itália (117,11 Mbps) e a Alemanha (103,72 Mbps).
Os provedores menores definem o mercado de internet singular do Brasil.
O Brasil conta com cerca de 20.000 provedores de internet de pequeno e médio porte. O crescimento desses players regionais não é um subproduto acidental do progresso tecnológico, mas sim resultado de um marco regulatório deliberado, elaborado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
As origens da estrutura diversificada de provedores de telecomunicações no Brasil remontam ao desmantelamento do monopólio estatal na década de 1990. O processo de privatização dividiu o país em um conjunto de monopólios regionais. Embora essa medida tenha conseguido atrair capital privado para modernizar a infraestrutura de telecomunicações do país, as novas empresas, naturalmente, concentraram seus investimentos em cidades brasileiras lucrativas e densamente povoadas, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Em seguida, empreendedores aproveitaram essa lacuna de conectividade, oferecendo diversos serviços de telecomunicações aos moradores, fora do alcance das operadoras tradicionais. E os órgãos reguladores agiram para acelerar esse mercado empreendedor, exigindo acesso de backhaul de alta capacidade no atacado a preços regulamentados, permitindo, essencialmente, que esses novos e pequenos provedores de internet se “aproveitassem” da infraestrutura nacional.
Regulamentações adicionais impulsionaram o surgimento de pequenos provedores. Por exemplo, as operadoras estabelecidas foram obrigadas a fornecer acesso a baixo custo à infraestrutura de telecomunicações, como dutos, postes e backhaul regional. As operadoras menores também foram intencionalmente protegidas de longas tarefas administrativas, como relatórios financeiros detalhados e de qualidade de serviço.
Comparando e contrastando grandes fornecedores regionais
Em fevereiro, a Anatel contabilizou um total de cerca de 8.000 provedores de internet fixa ativos em todo o Brasil. Muitos são bastante pequenos. Por exemplo, quase 400 desses pequenos provedores de internet relataram ter menos de 10 clientes no total.
Na outra ponta da lista, segue o ranking da Anatel de fevereiro de 2026 com os 15 maiores provedores de banda larga fixa (nacionais e regionais) do Brasil:
| Classificação | Empresa | Clientes | Quota de mercado |
| 1 | Claro | 10.682.390 | 19,60% |
| 2 | Vivo | 8.144.048 | 14,90% |
| 3 | Oi | 3.578.605 | 6,60% |
| 4 | Brisanet | 1.563.013 | 2,90% |
| 5 | Giga+ | 1.386.830 | 2,50% |
| 6 | Brasil Tecpar | 1.364.222 | 2,50% |
| 7 | Vero Internet | 1.335.264 | 2,40% |
| 8 | Desktop | 1.208.182 | 2,20% |
| 9 | TIM | 878.073 | 1,60% |
| 10 | Unifique | 852.875 | 1,60% |
| 11 | Algar Telecom | 839.702 | 1,50% |
| 12 | Alares | 821.302 | 1,50% |
| 13 | Starlink | 661.999 | 1,20% |
| 14 | Kore Brasil | 442.725 | 0,80% |
| 15 | Ligga Telecom | 347.472 | 0,60% |
Vale ressaltar que a Ookla contabiliza mais de 4.500 provedores de banda larga fixa no Brasil com métricas de desempenho de rede estatisticamente relevantes.
Este estudo concentra-se nos 10 maiores provedores regionais do Brasil, ou seja, os operadores de internet fixa terrestre, excluindo os provedores nacionais (Claro, TIM, Vivo e Oi). Também não inclui provedores de internet via satélite (Starlink) ou operadores de Internet das Coisas (IoT) como a Kore. Inclui as duas marcas de consumo da Brasil Tecpar: Amigo Internet e Blink Telecom.
