Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Anatel avalia ‘grupos estratégicos’ para medir competição em telecom

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) está desenvolvendo uma nova abordagem para análise da competição no setor baseada em um conceito de grupos estratégicos que consideram diferentes capacidades, ativos e estratégias de cada empresa.

A sinalização foi a novidade do Relatório de Monitoramento da Competição no primeiro trimestre de 2026, elaborado pela área técnica da Anatel. O documento aponta que a concorrência em telecom migrou de uma lógica baseada unicamente em participação de mercado para outra, calcada no posicionamento estratégico em ecossistemas digitais.

No novo cenário, a integração com cloud, dados e serviços digitais e a crescente relevância do mercado corporativo (B2B) se tornam elementos cruciais. A partir do entendimento, a Superintendência de Competição da agência delineou quatro grupos estratégicos distintos de operadoras. Confira abaixo:

Telcos integradas nacionais (Vivo, Claro e TIM) – Donas de escala nacional, marca forte, capilaridade comercial, base móvel robusta e capacidade de orquestrar estratégias simultâneas em B2C (varejo), B2B e fusões e aquisições.
Grupos regionais de fibra (Alloha/Giga+, Brasil TecPar, Vero e Alares) – Players que cresceram com forte disciplina comercial, aquisições de empresas menores e, em muitos casos, forte capitalização de fundos de private equity.
Grupos regionais em transição estratégica (Brisanet e Unifique) – Empresas em um processo ativo de transição entre grupos estratégicos, caracterizado por um esforço concreto para entrada no segmento móvel.
Prestadoras de pequeno porte (PPPs) locais e ISPs de nicho – Demais provedores locais de banda larga, responsáveis pela estrutura fragmentada do segmento no País.
“Esses grupos enfrentam condições competitivas distintas, competem mais intensamente entre si e estão sujeitos a barreiras à mobilidade que dificultam a transição entre diferentes posições na indústria, permitindo compreender a dinâmica competitiva de forma mais precisa”, aponta o relatório da área técnica da Anatel.

A expectativa é que a partir da formação dos clusters, futuros relatórios da Superintendência de Competição adotem as análises os grupos estratégicos “de modo a complementar as análises dos indicadores tradicionais da indústria”.

Tendências
A nova abordagem elaborada pela área de competição da Anatel também considera algumas tendências estratégicas vislumbradas no setor de telecom até 2028.

Entre elas estão o mercado B2B como principal fronteira de retorno sobre o capital investido, a consolidação “seletiva” de mercado pelas teles nacionais, a pressão por eficiência entre regionais financiadas, a maior profissionalização dos ISPs e a fronteira competitiva migrando para uma abordagem de ecossistemas.

“Não basta olhar rede e preço da conectividade, as empresas estão se esforçando para desenvolver competências em serviços digitais, o que muda a dinâmica da competição setorial. O setor de telecomunicações deixa de ser uma indústria isolada e passa a operar como parte de um ecossistema digital mais amplo, com novas formas de competição e cooperação”, aponta o documento.

Relatório
O relatório trimestral de monitoramento da competição apontou um crescimento moderado do setor e competição cada vez mais centrada na retenção e monetização da base de clientes.

“Na telefonia móvel, o Brasil alcançou 271,3 milhões de acessos, com expansão anual de 3%. O segmento móvel atingiu a Meta 9 de concorrência definida pela Anatel (Índice de Herfindahl-Hirschman abaixo de 0,3594)”, apontou a agência.

“[Já] na banda larga fixa, o mercado atingiu 54,6 milhões de acessos, com crescimento anual de 1,3%. O recorte municipal revela desigualdades relevantes, apesar da média do País ter atingido a Meta 8 para o mercado de banda larga fixa (Índice de Herfindahl-Hirschman abaixo de 0,1500)”.

Sobre essa heterogeneidade infranacional, a avaliação é que enquanto capitais apresentam maior competição, a maioria dos municípios ainda registra níveis intermediários ou elevados de concentração, evidenciando desafios à competição local.

“O Brasil ainda apresenta localidades com concentração de mercado, o que reforça a importância de abordagens regulatórias geograficamente orientadas. Nos mercados de conteúdo e voz, a transformação digital se aprofunda. A substituição progressiva dos serviços tradicionais por soluções digitais tem ampliado a pressão competitiva sobre modelos convencionais”.

(Com informações adicionais da assessoria de comunicação da Anatel)

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