Competição em telecom varia entre municípios e pode exigir abordagem local
O Relatório trimestral de Monitoramento da Competição da Anatel, referente ao primeiro trimestre de 2026, indicou que enquanto capitais apresentam maior competição no mercado de telecomunicações, a maioria dos municípios brasileiros ainda registra níveis intermediários ou elevados de concentração.
O cenário evidenciaria desafios à competição local. “O Brasil ainda apresenta localidades com concentração de mercado, o que reforça a importância de abordagens regulatórias geograficamente orientadas”, indicou a agência, em comunicado nesta segunda-feira, 27.
No mercado de telefonia móvel, a média nacional do Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) foi de 0,307 no primeiro trimestre, o que indica mercado concentrado no País. Uma forte desigualdade regional foi apontada, com capitais mais competitivas, mas a maior parte dos municípios acima da meta para o mercado nacional (menos de 0,3594 até 2027).
Há muitos municípios (1.388 municípios) com HHI entre 0,6 e 0,8, indicando mercados bastante concentrados pelos critérios da Anatel. Outra parcela relevante (1.152 municípios) está acima de 0,8 de HHI, o que indica alta concentração, apontam os dados.
“O ponto central desta análise é a constatação de que são nos municípios – não capitais – onde estão os maiores desafios”, indica trecho do estudo da Anatel, elaborado pela Superintendência de Competição.
Banda larga
Na banda larga, o mercado é considerado desconcentrado, com HHI de 0,0696. Contudo, a área técnica da Anatel entende que a média nacional esconde monopólios locais e a alta concentração em municípios. Isso indicaria necessidade de abordagens regulatórias geograficamente orientadas, sugere o estudo.
Aqui, 290 municípios estão em situação próxima ao monopólio (HHI entre 0,9 e 1,0) e 134 municípios têm apenas um único provedor de banda larga fixa (situação de monopólio local, com HHI igual a 1,0).
“Em conjunto, os dois últimos grupos de municípios – com HHI acima de 0,9 – representam um contingente relevante de brasileiros que acessam a Internet em condições de baixa ou nenhuma concorrência — o que pode se refletir em preços mais altos e menor qualidade do serviço”.
