Terça-feira, 25 de Agosto de 2026

Plástico: 33% das embalagens são impossíveis de reciclar, diz estudo da USP

Muitas pessoas separam o lixo em casa, limpam as embalagens e as colocam no “cesto” de recicláveis com a consciência tranquila. Mas pouca gente sabe que, mesmo com todo esse cuidado, uma parcela significativa desse material nunca será transformada em algo novo.

A constatação é de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) a partir de materiais coletados em três cooperativas da Região Metropolitana de São Paulo.

Segundo o levantamento, cerca de 33% das embalagens plásticas coletadas por sistemas de triagem são, na verdade, “rejeitos”. Ou seja, acabam em aterros sanitários por serem tecnicamente impossíveis ou economicamente inviáveis de reciclar.

Um erro que não é só do consumidor
O professor José Alejandro Amaral, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP) e coordenador do estudo, explica que o problema muitas vezes começa no desenho do produto. Para ele, a frustração do consumidor ao saber que seu esforço pode ser em vão é compreensível, mas aponta para uma falha sistêmica.

“Muitas vezes, o consumidor olha para o símbolo de reciclagem e acredita que aquele item terá uma vida nova. No entanto, o que vemos na prática é que o design de muitas embalagens prioriza o marketing e a conservação, mas ignora o fim da linha”
Ele explica que a complexidade dos materiais é o maior entrave, pois quando temos diferentes tipos de plástico em uma única embalagem, ou camadas metálicas e colas de difícil remoção temos algo que as cooperativas não conseguem processar de forma lucrativa.

O design “invisível”
Muitas embalagens modernas são eficientes para conservar alimentos, mas criam um “quebra-cabeça” impossível para as máquinas de reciclagem e para os catadores.

Segundo a pesquisa, itens como sachês de molhos, embalagens de café e salgadinhos são os mais críticos devido à sua composição multicamada.

O impacto no ecossistema de reciclagem
De acordo com o estudo, o acúmulo desses materiais gera um custo alto para as cooperativas. Elas perdem tempo triando algo que não tem valor de mercado e ainda precisam arcar com o transporte desse rejeito.

O professor Amaral reforça que a solução precisa passar por uma mudança na mentalidade industrial, e não apenas por colocar a responsabilidade no cidadão.

Leia também: Como proteger sua privacidade ao descartar celular e outros eletrônicos

O pesquisador defedende que as empresas adotem o chamado ‘design para a reciclagem’, simplificando os materiais para que a economia possa circular realmente e funcione.

Como consumir de maneira mais consciente?
Alguns cuidados podem ser tomados a paritr de uma cmples mundança no hábito de comprar:

Priorize Embalagens Simples.
Prefira produtos com um único tipo de plástico (como garrafas PET transparentes).
Evite o “Excesso”: Fuja de produtos com camadas desnecessárias de plástico e papelão.
Apoie Marcas com Logística Reversa: Verifique se a empresa possui pontos de coleta específicos para seus produtos mais complexos.
A reciclagem é fundamental, mas a redução do uso de plásticos complexos é urgente. Menos misturas de materiais e maior transparência sobre a reciclabilidade de cada item são passos essenciais para que o planeta respire melhor.

Compartilhe: