Quarta-feira, 29 de Abril de 2026

Brasil produz 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano; saiba como descartar corretamente

O país é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo e apenas uma pequena parte dos resíduos eletrônicos chegam à reciclagem adequada

Pilhas esquecidas, cabos antigos, carregadores sem uso, celulares guardados em gavetas e câmeras aposentadas fazem parte de um problema ambiental cada vez maior no Brasil, informa o portal g1. O país é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo, com cerca de 2,4 milhões de toneladas geradas por ano.

Apesar do volume elevado, apenas uma pequena parcela desses resíduos segue para o processo correto de reciclagem. A dificuldade está na própria composição dos equipamentos, que reúnem plástico, vidro, aço, metais preciosos e componentes químicos que precisam ser separados com cuidado antes de voltar à cadeia produtiva.

Descarte complexo
Diferentemente do lixo comum ou de materiais recicláveis mais simples, os eletrônicos exigem um processo chamado manufatura reversa. Isso significa desmontar os equipamentos peça por peça para que cada material tenha o destino adequado.

No caso de um celular, por exemplo, a carcaça pode reunir plástico e aço. O plástico pode virar matéria-prima para novos produtos, como baldes e copos, enquanto o aço segue para siderúrgicas. A tela precisa ter o vidro separado e processado para reaproveitamento pela indústria. Já a bateria de lítio deve ser retirada com segurança para evitar riscos e permitir a recuperação de seus componentes químicos.

O processo é essencial para reduzir impactos ambientais e evitar que substâncias perigosas contaminem o solo e a água.

Placas ainda dependem do exterior
Embora boa parte dos materiais possa ser reaproveitada no Brasil, as placas eletrônicas ainda representam um desafio. Por conterem metais preciosos, como ouro e prata, elas precisam ser exportadas para empresas da Europa ou da Ásia, onde há tecnologia capaz de fazer a extração final desses componentes.

Esse gargalo mostra que o país ainda não fechou completamente o ciclo de reciclagem dos eletrônicos, mesmo tendo uma legislação que obriga fabricantes, importadores e varejistas a recolherem produtos descartados pelos consumidores.

Poucas empresas recolhem
A Green Eletron, organização sem fins lucrativos que atua na coleta de resíduos eletrônicos, recolheu 12,5 mil toneladas de produtos em postos espalhados pelo país em 2025. A entidade trabalha com grandes marcas do setor, como Apple, Samsung, Dell e HP.

O volume, no entanto, ainda é pequeno diante das 2,4 milhões de toneladas geradas anualmente no Brasil, segundo dados da ONU. Para especialistas, a baixa adesão das empresas é um dos principais obstáculos.

“A gente tem cerca de 5 mil empresas que produzem, vendem ou exportam eletrônicos para o país. No entanto, o que mapeamos é que cerca de 150 empresas atuam coletando de volta e dando destino correto a esse tipo de resíduo. Isso é uma lacuna de fscalização que causa muito impacto ambiental”, diz Ademir Brescansin, gerente executivo da Green Eletron.

Para ele, o governo federal precisa ampliar a fiscalização e adotar medidas mais rígidas, como impedir a importação de produtos de empresas que não comprovem ter um sistema de logística reversa.

O que fazer em casa
Quem tem eletrônicos parados pode buscar três caminhos principais para o descarte correto. O primeiro é entrar em contato com o fabricante ou importador do produto, que deve oferecer uma alternativa de recolhimento.

Outra opção é procurar entidades gestoras, como a Green Eletron, que disponibilizam mapas com pontos de coleta. Também é possível consultar a prefeitura, já que o Ministério do Meio Ambiente mantém parcerias para instalação de postos em diferentes cidades.

O descarte correto impede que materiais perigosos sejam jogados no lixo comum e aumenta a chance de reaproveitamento de componentes valiosos. Em um país que produz milhões de toneladas de resíduos eletrônicos por ano, transformar a gaveta esquecida em ponto de partida para a reciclagem é uma medida simples, mas necessária.

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