Quarta-feira, 29 de Abril de 2026

CEO da Claro alerta para risco de falta de peças para modens e TV Boxes devido à crise das memórias

O CEO da Claro, Rodrigo Marques, afirmou que a atual escassez global de memórias pode provocar falta de componentes essenciais para equipamentos como modens e TV Boxes no mercado brasileiro. O comentário foi feito na quinta-feira (23), durante entrevista sobre o lançamento de novos planos pós-pagos da operadora que incluem armazenamento via Google Drive ou iCloud.

Marques explicou que, embora a Claro não fabrique os aparelhos, as operadoras também dependem de fornecedores que já vêm sinalizando dificuldades de abastecimento. Segundo ele, a antecipação de compras por clientes no mundo inteiro tem elevado a pressão sobre fornecedores, o que pode resultar em roturas de estoque para dispositivos que utilizam chips de memória.

Os modens são responsáveis pela entrega de conexão de banda larga aos assinantes, enquanto os TV Boxes (set-top boxes) são conectados às televisões para receber sinais de canais e serviços de streaming. Ambos os tipos de equipamentos exigem chips de RAM e unidades de armazenamento para operar, o que os torna vulneráveis à falta desses componentes.

A Claro vai reajustar preço de modens e box de TVs?
Apesar do risco de desabastecimento, a Claro tem adotado postura cautelosa sobre repassar aumentos de custo aos consumidores. Em resposta a um estudo da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) que aponta possibilidade de alta de até 30% no preço final de aparelhos como celulares, Marques lembrou que alguns equipamentos já registraram acréscimos superiores a esse percentual.

O executivo citou especificamente que os preços dos set-top boxes já subiram mais de 30% e que a empresa está, por ora, absorvendo esses custos para preservar as condições comerciais oferecidas aos clientes. No entanto, ele alertou que, se a elevação nos custos continuar em determinados patamares, poderá se tornar inviável manter os preços atuais.

Márcio Carvalho, CMO da Claro, complementou que a pressão sobre os custos no Brasil decorre tanto da crise das memórias quanto da variação do câmbio, com o dólar impactando o custo de insumos importados.

Duração da crise
Fabricantes do setor divergem sobre o horizonte de normalização: algumas estimativas preveem que a crise das memórias pode se estender até 2028, enquanto outras apontam para 2030 como um prazo mais provável para estabilização de oferta e preços. Na avaliação do CEO da Claro, a situação deve persistir por pelo menos mais dois anos, embora ele ressalte a dificuldade de projeção diante do aumento contínuo da demanda por componentes em data centers e servidores.

Além disso, representantes de outras marcas já manifestaram que a escassez de chips é um problema generalizado no setor e que as empresas enfrentam limitações para remediar a situação a curto prazo.

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