Dona da Claro, América Móvil vai às compras de mais ativos de telecom
A América Móvil (AMX), dona da Claro, vai continuar indo às compras de ativos de telecomunicações após a aquisição da Desktop. A estratégia foi confirmada pelo CEO da multinacional, Daniel Hajj, nesta quarta-feira, 22.
Em conferência com analistas após a divulgação de resultados do primeiro trimestre, o executivo preferiu não indicar quais são os países ou regiões prioritárias para os movimentos de fusão e aquisição (M&A). Mas ressaltou que há “mais oportunidades tanto na América Latina quanto no Leste da Europa”.
“Só precisamos ter equilíbrio entre a alavancagem e a oportunidade”, pontuou Hajj. “Essas oportunidades vão nos dar boas posições onde estamos mirando e nos permitir crescer mais e mais rápido”, acrescentou.
Hajj ainda destacou que, além do avanço na banda larga com a compra da Desktop, a AMX busca ativos diversos, citando a negociação para aquisição da Azteca, provedora de infraestrutura na Colômbia. “Estamos considerando tudo”, salientou.
Preços e portabilidade
O CEO afirmou que não há previsão de aumento de preços dos serviços de telefonia móvel, banda larga e TV por assinatura no Brasil.
Hajj também comentou que a AMX já sente o encarecimento dos chips de memória, em função da alta demanda em todo o mundo, e, por isso, a empresa decidiu aumentar o estoque do insumo.
Questionado sobre os efeitos da NuCel – serviço de telefonia móvel do Nubank, que usa a rede da Claro – para os resultados da operadora no Brasil, o executivo ressaltou que a MVNO tem contribuído para os ganhos de portabilidade, ainda que a Claro venha atraindo usuários de outras teles para o seu serviço há cerca de três ou quatro anos.
“Com a NuCel, a portabilidade cresce […] A NuCel está indo muito bem, e podemos crescer ainda mais em portabilidade no Brasil”, frisou.
Segundo o balanço da Claro, houve saldo de 900 mil linhas portadas para o seu serviço de telefonia móvel nos últimos 12 meses. A operadora não detalha a participação da NuCel nesse movimento.
Parceria com Starlink
Na conferência com analistas, Hajj salientou que a AMX mantém conversas com a Starlink, operadora de conectividade via satélite da SpaceX, para uma eventual parceria no serviço de sinal entre satélites de baixa órbita (LEO) e celulares (tecnologia também conhecida como D2D, ou direct to device).
“Estamos abertos, podemos fazer algo com eles. A nova constelação de satélites deles [focada em D2D] deve ser lançada em 2027. Estamos conversando para ver as oportunidades que podemos ter”, relatou.
Resultados financeiros
De acordo com o balanço da América Móvil, as receitas cresceram 2,1% no primeiro trimestre, ante o mesmo período do ano anterior, alcançando 237 bilhões de pesos mexicanos (aproximadamente US$ 13,6 bilhões).
O serviço móvel teve alta de 6,4%, enquanto o segmento de operações fixas (telefonia, banda larga e TV) avançou 1,7%, ambos na comparação anual.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a 95 bilhões de pesos mexicanos, alta anual de 3,8%. Já o lucro líquido totalizou 51 bilhões de pesos mexicanos, crescendo 12,7% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A América Móvil encerrou março com uma dívida líquida (excluindo arrendamentos) de 437 bilhões de pesos mexicanos. A alavancagem ficou em 1,41x.
