Gestão da Oi quer venda total de ativos, incluindo Oi Soluções
A administração judicial da Oi entregou nesta segunda, 20, o relatório de gestão determinado pela juíza Simone Chevrand em relação à situação atual da operadora e perspectivas para a continuidade das operações. A conclusão do relatório é que o administrador recomenda um modelo que permita a venda dos ativos com pagamento dos passivos. A novidade é que o relatório revela uma fase mais avançada de estruturação da empresa para a venda da Oi Soluções, cujo potencial seria de uma venda de R$ 1,4 bilhão.
Mas o administrador Bruno Rezende também indica que quer manter as atuais condições, ou seja, a suspensão das obrigações extraconcursais.
“O direcionamento da liquidação ordenada dos ativos, sob o aspecto qualitativo, quantitativo e temporal, conforme modelo de trabalho implementado pela atual Gestão Judicial, aliado à manutenção da suspensão das obrigações extraconcursais durante o período, poderá se reverter em um instrumento mais assertivo e eficiente para a reversão do estado deletério dos indicadores de performance patrimonial, margem operacional e solvência”.
“Entende a Gestão Judicial que a manutenção de um modelo de trabalho que efetive a liquidação dos ativos, possibilitando a quitação do passivo, exemplificativamente, o trabalhista, pode garantir não só a quitação dos credores, como também as operações e a continuidade da prestação dos serviços públicos essenciais remanescentes”, conclui Bruno Rezende.
O relatório não detalha nenhum tipo de plano específico para otimizar o tamanho da empresa às suas atividades, com redução do quadro de funcionários ou um plano de demissão voluntária, o que dá a entender que a quitação do passivo trabalhista se refere apenas a dívidas passadas, mas não aos direitos dos 1,6 mil trabalhadores atuais da Oi em caso de falência. Mas segundo fontes próximas à gestão da empresa, há sim planos de manutenção e até aumento dos postos de trabalho e há previsão de provisionamento para os atuais trabalhadores.
Venda da Oi Soluções
Na outra frente, o relatório mostra que a prioridade do administrador é buscar liquidez dos ativos que a Oi ainda tem. Nesse sentido, é revelado o plano de uma UPI da Oi Soluções, que está em fase intermediária de de execução e que pretende arrecadar R$ 1,42 bilhão com a venda dos “contratos/negócios B2B do Grupo, voltada para a oferta de soluções de conectividade, serviços digitais e TI (tecnologia da informação) para clientes corporativos, sendo composta por sua base de clientes (contratos públicos e privados), estrutura operacional, receitas, custos/fornecedores, dentre outros elementos econômicos, denominados ‘Oi Soluções’ “. O processo de avaliação do ativo está sendo conduzido pela G5 Partners.
“Deve-se registrar, por oportuno, que a partir das diligências adotadas pela Gestão Judicial, grandes empresas já manifestaram interesse nos ativos, o que demonstra o grande potencial de êxito da estruturação elaborada pela Gestão Judicial”, escreve o administrador.
Não é de hoje que a Oi sinaliza a possibilidade de vender a Oi Soluções, mas recentemente em conversa com sindicalistas, o administrador havia indicado que a Oi Soluções não seria vendida por significar, justamente, a única fonte de receitas da empresa.
Além da Oui Soluções, a Oi ainda espera conseguir mais US$ 77 milhões com a venda da unidade do Timor Leste (em fase final de conclusão) e R$ 5,8 bilhões com imóveis.
Outra frente tem sido a tentativa de renegociação com a PGFN, o que pode trazer um abatimento no passivo tributário de R$ 2,4 bilhões e também ajustes na contabilidade da Fundação Atlântico que permitiriam à Oi usar R$ 364 milhões em superávit para saldar as dívidas da Oi com a própria entidade.
Também estão sendo renegociados contratos com fornecedores e revistas as condições de venda da rede de cobre, o que pode trazer mais R$ 23 milhões, e levantamento de depósitos trabalhistas de mais R$ 54 milhões, podendo chegar a R$ 2 bilhões a depender do “processamento dos pedidos”.
Há ainda mais R$ 49 milhões em contratos em inadimplência com diferentes Estados, mais R$ 20 milhões junto à Claro e TIM. Ao todo, estas medidas, estima a administração judicial, podem trazer entre R$ 672 milhões e R$ 2,3 bilhões para o caixa da companhia.
O desafio do caixa
O drama da Oi, contudo, reside nos números. A dívida da empresa já está em R$ 42 bilhões, com R$ 8,1 bilhões a serem pagos até dezembro de 2027, R$ 5,7 bilhões até dezembro de 2028 e R$ 28,2 bilhões a partir de 2029. A receita líquida está em R$ 85 milhões ao mês, com prejuízo operacionais mensais de mais de R$ 7 milhões. E a empresa tem R$ 101 milhões em caixa, mesmo considerando todo o saque que R$ 517 milhões realizado junto às garantias com a Anatel. A empresa projeta ter caixa de apenas R$ 30 milhões em setembro, podendo variar em função dos recursos que entram da venda da V.tal e da UPI Serviços Telefônicos.
“Não obstante as diretrizes promovidas pela Gestão Judicial de redução de custos; racionalização dos processos operacionais a suspensão das obrigações extra concursais determinada por este d. Juízo, a cada período se verifica a necessidade de maior consumo de caixa , principalmente na ocorrência de eventos extraordinários de reforço de liquidez, o que constitui sinal de permanência da fragilidade financeira e dificuldade de reverter os indicadores negativos de desempenho econômico”.
Consequências da falência
Mesmo com um quadro tão dramático, o administrador dá a entender que prefere seguir o modelo de liquidação de ativos do que a decretação de falência. Segundo ele, “deve ser consignado que em eventual cenário de falência, este passivo total (R$ 42 bilhões) e as respectivas datas de vencimento não se aplicam, uma vez que os credores terão reconstituídos seus direitos e garantias nas condições originalmente contratadas, deduzidos os valores eventualmente pagos e ressalvados os atos validamente praticados no âmbito da recuperação judicial”.
De fato, um quadro de falência colocaria todos os credores na mesma condição,sendo que créditos trabalhistas e tributários passam a ter prioridade. No modelo atual de liquidação, a prioridade segue sendo aquela definida no Plano de Recuperação Judicial.
