Cidade em São Paulo vai abrigar usina gigante para reciclar material inusitado e abastecer a indústria
Uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil vai ser instalada em Americana, cidade na Microrregião de Campinas (SP), a noroeste da capital, com capacidade para até 72 mil toneladas de resíduos ao ano.
O empreendimento é uma resposta ao acúmulo de materiais descartados da indústria de construção civil no Brasil, que movimenta cerca de R$ 359,5 bilhões do PIB brasileiro, segundo dados do IBGE.
Licenciada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, a construção da usina vai ser iniciada em 2026 e instalada próxima à Represa do Salto Grande, área que já funciona como destino de resíduos urbanos coletados por municípios da região, como Santa Bárbara d’Oeste e Hortolândia, informa a prefeitura.
O projeto trabalha com os chamados resíduos inertes, restos de obras de construção e demolição, como tijolos, cerâmica e argamassa, que não se decompõem com facilidade na natureza e permanecem por anos em aterros (em geral descartados de forma irregular).
A Unidade de Tratamento e Gestão de Resíduos Sólidos de Americana (UTGR) vai ser administrada pela empresa Multilixo, de acordo com as diretrizes do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece metas nacionais para a reciclagem e a redução de resíduos em aterros.
O plano é que pelo menos 25% dos resíduos gerados no Brasil sejam reciclados e empregados novamente na indústria de construção.
De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o Brasil gera milhões de toneladas de resíduos dessa espécie por ano nas cidades, e sua taxa de reaproveitamento ainda é considerada baixa. Entre países europeus, os índices de reciclagem são superiores a 70%.
Em países como o Cazaquistão, a reciclagem de rejeitos da construção civil em escala nacional vai servir para financiar a construção de moradias populares, e integra pesquisa e desenvolvimento a plantas industriais espalhadas pelo país.
A região de Campinas e Piracicaba tem já algumas iniciativas que podem se inserir no ecossistema da nova usina, como a de uma fábrica de reciclagem móvel vinculada ao Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Campinas, alimentada pelos rejeitos recolhidos por caminhões que percorrem os municípios partes do consórcio em rodízio.
A reciclagem de resíduos da construção civil envolve etapas como triagem, britagem e classificação granulométrica, e o material gerado pode ser transformado em agregados reciclados, utilizados como substitutos parciais de areia e brita naturais.
Além de substituir a necessidade de novos recursos, a reciclagem diminui os impactos associados à extração de matéria-prima.
Após a concessão, em janeiro, da licença para a instalação da usina, ela segue agora em fase de definição de fornecedores, aquisição de equipamentos e detalhamento do plano de obras, que deve ser finalizado em 2027.
