Sexta-feira, 1 de Maio de 2026

Grupo TIM usa experiência do Brasil no 5G para defender renovação de espectro na Itália

A experiência brasileira com o leilão de 5G, ocorrido em 2021, passou a servir de referência para a TIM nas discussões sobre renovação de frequências na Itália. Segundo Leonardo Capdeville, CTO do Grupo TIM (Telecom Italia), o modelo adotado no Brasil permitiu acelerar investimentos em infraestrutura e viabilizou a implantação do 5G standalone desde o início, enquanto o mercado italiano ainda opera predominantemente com 5G non-standalone.

Na entrevista ao Tele.Síntese, o executivo disse que a discussão em curso com o governo italiano busca justamente defender uma lógica semelhante à adotada no Brasil: atrelar a renovação do espectro à ampliação de investimentos pelas operadoras, em vez de concentrar o desembolso em pagamento pela frequência. “O tempo inteiro nós citamos o Brasil, como foi o caso do país, porque realmente foi um salto avante”, afirmou.

Capdeville lembrou que, no momento do leilão do 5G de 2021, a TIM Brasil defendeu publicamente que o país deveria privilegiar investimentos em rede. Na visão dele, esse arranjo ajudou o Brasil a avançar mais rapidamente para o standalone.

Ao comparar os dois mercados, Capdeville afirmou que a diferença não decorre de uma escolha técnica isolada, mas das condições econômicas e regulatórias associadas ao uso do espectro. Segundo ele, no Brasil houve espaço para priorizar infraestrutura no contexto do 5G, enquanto na Itália o peso financeiro da aquisição de frequências reduziu a capacidade de investimento.

Ele citou que, no mercado italiano, o Grupo TIM pagou 2,4 bilhões de euros no leilão anterior de frequências, o que pressionou o caixa e limitou o avanço posterior.

Capdeville também afirmou que a Europa ainda está atrás do Brasil na migração efetiva para o 5G standalone. Segundo ele, a Itália ainda não concluiu essa transição e o uso do 4G continua predominante. O executivo acrescentou que o Brasil saiu na frente nesse ponto e que isso poderá influenciar o debate regulatório europeu sobre as próximas renovações de espectro.

Para o grupo TIM, a discussão não se resume à velocidade de adoção de uma nova geração móvel, mas à possibilidade de criar condições de investimento de longo prazo para a infraestrutura digital.

Rede fixa: Itália manteve separação, Brasil tomou outro rumo
A entrevista também trouxe uma comparação entre os modelos de separação estrutural adotados nos dois países. Segundo Capdeville, a Telecom Italia vendeu a parte passiva da rede de acesso da última milha, envolvendo cobre e fibra até a casa do cliente, mas manteve o backbone e o backhaul sob contratos de longo prazo.

Essa decisão foi tomada em um contexto de forte regulação de atacado e de uso compartilhado da rede por concorrentes em toda a Itália. Nesse cenário, a infraestrutura de acesso já não funcionava como diferencial competitivo relevante, o que abriu espaço para a alienação desse ativo.

No Brasil, segundo o executivo, o movimento começou de forma parecida, com iniciativas de separação estrutural e o avanço de redes neutras. Mas o resultado foi diferente. Capdeville atribuiu isso à dimensão territorial, à elevada quantidade de provedores regionais e ao custo mais baixo de construção de redes aéreas, em contraste com a realidade italiana, onde a implantação é subterrânea.

Na avaliação dele, esse ambiente impediu a consolidação de um modelo único de rede neutra no país. Por isso, o Brasil passou a conviver com um arranjo mais fragmentado, inclusive com movimentos de recomposição de ativos. Já na Itália, a separação continua e, segundo ele, o modelo segue preservado.

Confira no vídeo acima a entrevista completa.

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