Cisco diz que IA acelera modernização de redes e data centers no Brasil
A Cisco usou o Cisco Connect Brasil 2026, realizado nesta terça-feira, dia 1, em São Paulo, para sustentar uma mensagem central ao mercado: a adoção de IA já começou a acelerar a modernização de redes, data centers e arquiteturas de processamento no país. A agenda do evento foi dedicada a “soluções reais de IA”, conectividade segura, resiliência digital e infraestrutura preparada para novas cargas de trabalho.
O presidente da Cisco Brasil, Ricardo Mucci, afirmou que a companhia já observa uma mudança concreta na demanda dos clientes corporativos, com projetos de atualização tecnológica associados à necessidade de suportar tráfego maior, processamento distribuído e uso mais intensivo de aplicações de IA. Segundo ele, esse movimento já aparece tanto na modernização de data centers quanto na discussão sobre capacidade de backbone e interconexão.
“A gente tem tido demandas grandes de refresh data centers”, afirmou Mucci. Ele ainda afirmou que a Cisco tem discutido com seus clientes a preparação da infraestruturas para treinamento, inferência e maiores volumes de processamento, inclusive com projetos que já envolvem conexões “acima de 400 gigabits, 800 gigabits e mais”.
Infraestrutura entra no centro da agenda de IA
Um dos destaques do evento foi a associação direta entre IA e renovação de infraestrutura. Laércio Albuquerque, vice-presidente da Cisco Brasil, afirmou que o mercado já não consegue implementar projetos de inteligência artificial sobre bases antigas de TI.
“Você não consegue executar e implementar seus projetos de AI baseado em estruturas de 10 anos atrás”, disse o executivo. Ele acrescentou que há uma demanda crescente por infraestrutura “ágil e segura de data center, de redes, de segurança” para suportar novas aplicações.
Mucci reforçou que a discussão deixou de se limitar a software ou nuvem e passou a envolver, de forma mais intensa, a condição física e lógica da infraestrutura instalada. Segundo ele, clientes que migraram fortemente para nuvem passaram a reavaliar custos e arquitetura, o que já abre espaço para atualização de data centers e reorganização de parte da capacidade computacional.
Além disso, reforçou que a empresa está focada em atender a todos os seus clientes quando questionado sobre o problema de escassez de memórias. “Não é a primeira vez que a gente passa por isso, teve uma pandemia, aprendemos muito, e o segredo que a gente teve na pandemia é o mesmo segredo que a gente tem agora. Estamos muito próximos dos nossos clientes, tentando ajudar ao máximo possível”, disse.
Edge ganha peso
Outro ponto foi a maior relevância do processamento na borda. Laércio disse que a arquitetura exigida pela IA amplia a necessidade de levar capacidade de processamento para perto da geração dos dados.
“Temos que trazer o processamento para a fonte”, resumiu. Em seguida, afirmou que esse movimento exige uma integração entre servidor, armazenamento e rede na ponta. “Isso requer rede, o foco é a rede”, declarou.
ReData aparece como tema econômico do evento
O ReData também foi tema na coletiva de imprensa. Questionado sobre o assunto, Ricardo Mucci afirmou que a Cisco é favorável ao modelo e defendeu que a política considere não apenas a importação de equipamentos acabados, mas também os insumos usados na manufatura nacional.
“Nós somos super favoráveis ao modelo do ReData”, disse Mucci. “Cerca de 55% do que a gente vende no Brasil é fabricado no Brasil”, ao explicar que a empresa defende isonomia entre o produto pronto importado e a produção local baseada em componentes e insumos importados.
Para o executivo, o ReData tem relação direta com a capacidade de o Brasil disputar investimentos em infraestrutura digital de maior porte. Mucci afirmou que o país tem potencial para ampliar sua posição como base de data centers na América Latina e indicou que operadores focados nesse mercado acompanham o tema com atenção. Segundo ele, empresas de construção de data centers estão à espera de maior clareza para avançar, embora a demanda por capacidade siga elevada.
“O Brasil, sem dúvida nenhuma, é um grande potencial para ser o melhor implementador dessas soluções para a América Latina inteira”, disse.
Interconexão e provedores regionais
Mucci também apontou crescimento da demanda por interconexão entre data centers e pela atuação de provedores menores na expansão da infraestrutura. Ele disse que a Cisco observa melhora nesse mercado e uma arquitetura mais integrada entre camadas óptica e IP. Também mencionou expansão dos pequenos provedores, que seguem investindo em fibra e interligação de redes. “Os pequenos provedores tem uma fatia enorme do mercado. Hoje no Brasil, eu acho que na parte de associados são mais de dois mil”, disse.
“Esses caras estão dominando o mercado, investindo no mercado. A coletividade do mercado, na verdade, não está com os grandões, e sim com esses menores, e é um mercado interessante para nós”, concluiu.
