Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Sindicatos cobram responsabilidade solidária da V.tal com Oi e Serede

Em nota conjunta divulgada nesta terça-feira, 31, as principais federações sindicais do setor de telecomunicações (Fitratelp, Fenattel e FITT/Livre) cobraram que seja fixada a responsabilidade solidária da empresa de infraestrutura V.tal com trabalhadores do grupo Oi.

A manifestação ocorre em meio a discussões do Supremo Tribunal Federal (STF) que têm impedido a extensão à V.tal de obrigações trabalhistas da tele – incluindo no caso da subsidiária da Oi para serviços de campo Serede, que atravessa processo de falência.

“A existência de um grupo econômico é um fato incontestável que não pode ser negado pela Justiça”, afirmaram os sindicatos. A Oi tem e está vendendo fatia de 27,26% na operadora de infraestrutura.

“Desde a criação da V.tal, a Serede prestou serviços essenciais de campo. No entanto, o rompimento recente do contrato de trabalho de aproximadamente cinco mil trabalhadores, ocorreu sob condições questionáveis, em meio a uma disputa judicial e comercial agressiva entre Oi e V.tal”, afirma a nota.

Ainda segundo as federações, “a principal revolta dos sindicatos reside no fato de que, apesar de a Serede possuir créditos contratuais a receber de ambas as empresas (Oi e V.tal), os cerca de cinco mil trabalhadores não receberam suas verbas rescisórias após o fim do contrato” com a empresa de infraestrutura.

Em 2025, as partes tentaram resolver a questão em uma mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST), o que não logrou resultados. Também no ano passado a Serede teve liquidação iniciada pela Justiça, em medida confirmada neste mês de março. O pagamento de verbas aos trabalhadores segue como tema em aberto.

“Há uma percepção de que a disputa visa asfixiar financeiramente a Oi e sua subsidiária Serede, ignorando os compromissos sociais mínimos com a força de trabalho […] A Justiça deve reconhecer a responsabilidade do grupo econômico para garantir que os direitos trabalhistas sejam honrados de imediato”.

Impactos na Nio
Segundo os sindicatos, o desenrolar do impasse também estaria afetando as operações da Nio, unidade de banda larga constituída pela V.tal após a compra da antiga Oi Fibra.

“Com a saída da Serede e a assunção da operação própria gerida pela V.tal, os indicadores de qualidade despencaram”, alegam as federações, na nota conjunta. Não foram apresentados dados que corroborem a afirmação dos sindicatos, contudo.

Os sindicatos, porém, argumentam que o movimento decorre da perda da expertise técnica acumulada pelos trabalhadores da Serede, refletindo também na desconexão de clientes pela operação de banda larga, o que fragilizaria a marca Nio.

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