Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

A estratégia da Algar no mercado de MVNOs

A Algar adotou uma atuação em três frentes no mercado de operadoras móveis virtuais (MVNOs). Ela é ao mesmo tempo uma MVNO com a marca Algar, uma MVNO com a marca Nomo e uma MVNE para viabilizar o lançamento de operadoras virtuais de outras empresas. O projeto, batizado como “mobilidade conectada”, representa uma mudança estratégica importante para a empresa, expandindo sua atuação pelo país e experimentando novos modelos de negócios.

Em entrevista para Mobile Time, o diretor de inovação da Algar e presidente do Brain, Ivan Mendes, detalha melhor essa estratégia. O executivo estará presente também no painel de abertura do 5º MobiXD, evento sobre inovação em serviços digitais das operadoras móveis, dia 13 de maio, no WTC, em São Paulo, com organização do Mobile Time.

Mobile Time – Por que a Algar decidiu operar como MVNO com duas marcas – a própria Algar e a Nomo? Quais as principais diferenças entre as duas?

Ivan Mendes – A decisão de operar com as marcas Algar e Nomo reflete uma estratégia de segmentação de mercado e posicionamento, onde as duas frentes são complementares, mas atendem a públicos e objetivos distintos. A operação MVNO sob a marca principal Algar visa a expansão do portfólio tradicional para além de sua área de concessão, fortalecendo a competitividade nos segmentos de varejo e corporativo ao oferecer uma solução de mobilidade convergente com os demais serviços da companhia. Trata-se da extensão da marca já consolidada para uma cobertura nacional.

Por outro lado, a Nomo foi concebida como uma marca nativa digital, com uma proposta de valor focada na autonomia do usuário, simplicidade e uma experiência sem atritos. Com um modelo 100% digital, ativação simplificada via eSIM e sem contrato de fidelidade, seu público-alvo são os consumidores mais jovens e digitais.

Em resumo, a diferença é estratégica: enquanto a marca Algar expande o negócio existente, a Nomo explora um novo modelo de negócio e um novo segmento de público.

Poderia compartilhar números atualizados das bases de usuários de cada uma? E projeções para este ano?

Hoje, a Nomo reúne 12 mil clientes ativos.

Já a operação MVNO da Algar soma 17 mil clientes ativos. O modelo de Mobile Virtual Network Operator (MVNO) acumula mais de R$ 14 milhões em faturamento bruto, resultado que confirma a aposta da companhia em uma estratégia de expansão nacional apoiada em parcerias multi-rede.

Por que a Algar lançou uma oferta de MVNE? Qual o seu público-alvo? Quantas MVNOs já estão na plataforma? 

A Algar lançou a oferta de MVNE (Mobile Virtual Network Enabler) com o objetivo estratégico de se posicionar como uma habilitadora do mercado móvel, transformando sua expertise técnica e operacional em uma plataforma B2B2C escalável. Essa iniciativa permite que outras empresas, principalmente Provedores de Internet (ISPs), lancem suas próprias operações de telefonia móvel com marca própria, mas sem a necessidade de arcar com o alto investimento em infraestrutura (Capex), a complexidade regulatória e o desenvolvimento tecnológico.

A frente MVNE já conta com 14 parceiros credenciados e outros 15 em fase avançada de negociação.

Quais sistemas exatamente a MVNE disponibiliza? O que fica sob responsabilidade do cliente-empresa?

A plataforma MVNE da Algar oferece uma solução completa e white-label que engloba toda a infraestrutura tecnológica necessária para a operação. Isso inclui o core de rede, sistemas de faturamento (billing), emissão fiscal, plataformas de atendimento, portal de gestão, APIs para integração, além de SIM Cards e eSIMs personalizados com a marca do parceiro.

Com isso, a responsabilidade que recai sobre a empresa-cliente é a gestão comercial da sua marca, o que envolve as estratégias de marketing, vendas, a definição de planos e o relacionamento direto com o seu cliente final.

Qual o modelo de negócios como MVNE?

O modelo de negócios da frente MVNE é o de Plataforma como Serviço (PaaS), operando em um formato B2B2C (Business-to-Business-to-Consumer). Nesse modelo, a Algar fornece toda a infraestrutura e o know-how tecnológico para a empresa parceira (o B2B), que, por sua vez, vende e gerencia o serviço de telefonia móvel para o consumidor final sob sua própria marca (o B2C).

Para a Algar, isso cria um importante vetor de receita, baseado em recorrência e escala, ao habilitar a expansão de terceiros no mercado móvel.

Qual a importância estratégica do projeto “mobilidade conectada” dentro da Algar? Quais transformações espera que aconteçam na empresa decorrentes dele?

O projeto “Mobilidade Conectada” possui uma importância estratégica fundamental, pois representa um redesenho do modelo de negócio da Algar no setor móvel, indo além do simples lançamento de produtos. A importância dessa iniciativa se sustenta em três pilares principais.

O primeiro é a busca por crescimento com eficiência de capital, permitindo a expansão nacional de forma acelerada com um modelo mais flexível. O segundo é a diversificação de fontes de receita, pois a empresa deixa de competir apenas pela base de clientes final e passa a atuar como uma plataforma habilitadora (MVNE), criando uma nova e escalável linha de receita B2B2C.

Por fim, o terceiro pilar é a inovação e segmentação, com a Nomo explorando novos públicos e modelos de negócio digitais. A principal transformação esperada é a evolução de uma operadora tradicional para um ecossistema de mobilidade mais modular, ágil e escalável, capaz de operar simultaneamente como operadora, plataforma e marca digital disruptiva.

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