Soberania é preocupação e oportunidade para mercado de satélites
Um dos temas mais discutidos durante o primeiro dia da Satellite 2026, que acontece esta semana em Washington, foi o de aplicações soberanas de satélites. Existe praticamente um consenso na indústria de que esta é a principal oportunidade existente de crescimento no momento, por conta da forte demanda dos governos. E a principal variável, nesse caso, é justamente o medo do poderio da Starlink e seus vínculos com o governo norte-americano, criando uma situação oposta ao que se vê em aplicações comerciais, onde Starlink tem quase sempre a preferência dos compradores.
Para governos, ficar na mão da Starlink não é uma boa. O problema é que os investimentos nas alternativas ainda estão distantes. A Amazon LEO (que tem o mesmo problema de ser uma empresa norte-americana) só entrará em funcionamento no final deste ano. As operações chinesas ainda não estão disponíveis. A OneWeb, que poderia ser uma alternativa, tem limitações em sua constelação já envelhecida. A Telesat Lightspeed só lança seu produto no final de 2027 ou 2028. O caminho tem sido alternativas em MEO e nos satélites geoestacionários, com todas as limitações.
Mas segundo a consultoria Analysys Mason esse (soberania) é um mercado com investimentos intensivos que deve abrir outras oportunidades. Na Alemanha, diz a consultoria, o governo já se comprometeu com gastos de US$ 41 bilhões em defesa. Constelações soberanas na Europa já somam US$ 24 bilhões em investimentos. Só em aplicações governamentais, foram investidos US$ 7 bilhões em toda a Europa, e este é um mercado que pede justamente soluções com restrições de determinados fornecedores ou países na cadeia de suprimentos.
Outro dado levantado pela consultoria: hoje projetos nacionais já sinalizam a demanda por pelo menos 69 constelações, que devem consumir US$ 100 bilhões nos próximos 10 anos. “O problema é que empresas de satélites sempre foram globais, e esse ‘mercado de soberania’ tem restrições que variam de país para país”, diz Dallas Kasaboski, analista da Analysys Mason.
“Em um mundo que está cada vez mais fechado e a pergunta que fica é: como acessar esses mercados? Como acessar a tecnologia? Como vencer as barreiras entre local e global? E na parte de serviço fica ainda mais complexo”, diz ele. A tendência talvez seja, diz, aquisições e fusões em mercados-chave que coloquem as empresas globais com presença local, pondera.
