SES dobra aposta em constelações MEO com meoSphere, em parceria com a K2 Space
A operadora de satélites SES anunciou nesta terça, 24, durante a Satellite 2026, que acontece em Washington, o seu mais ambicioso projeto de expansão das suas constelações. Trata-se do projeto meoSphere, uma constelação de órbita média com 28 satélites que estará plenamente operacional em 2030 e pretende ampliar a capacidade da constelação mPower existente hoje.
MAs a meoSphere tem um componente absolutamente inusitado: a parceria de construção dos satélites com a K2 Space, uma empresa startup no segmento espacial que ainda não tem nenhum satélite em órbita, mas promete um modelo revolucionário de construção e testes que permite encurtar significantemente o tempo de desenvolvimento e os custos.
Segundo Adel Al-Saleh, presidente da SES, que falou com os jornalistas após sua palestra na Satellite 2026, a ideia da operadora com a parceria é ter um controle e envolvimento muito maior no desenvolvimento da tecnologia e no processo de inovação. Ele acredita que essa é uma mudança fundamental para fazer frente a concorrentes com modelos fortemente verticalizados, como a Starlink e a Amazon.
Especificações
Além da capacidade ampliada, a constelação meoSphere já vem preparada para aplicações que a SES considera essenciais no futuro: capacidade de comunicação inter-satélites, conectividade D2D e compatibilidade com redes 5G NTN, tecnologias abertas e programáveis e processamento embarcado nos satélites, e estações terrenas baseadas em terminais flat-panel portáteis, e não apenas parabólicas. Serão quatro órbitas diferentes, satélites de 20kW, capacidade de 1 Gbps a 4 Gbps por beam, a depender do equipamento em terra.
A aplicação principal da constelação será funcionar como um backbone espacial para aplicações em terra e, sobretudo, para outros provedores de satélite, diz.
Em conversa com este noticiário, ele disse acreditar que esse modelo é bastante adequado às necessidades do Brasil, sobretudo do governo Brasileiro. “Estivemos com autoridades brasileiras em Luxemburgo e agora em Washington e vejo um grande interesse e adequação da nossa capacidade ao que o país busca”, diz Al-Saleh.
Projetos paralelos
A constelação meoSphereestá sendo desenvolvida em paralelo a um outro projeto da SES, este tocado com outros operadores europeus, que é a constelação IRIS2. “São constelações diferentes mas que vão compartilhar muita tecnologia”, diz Saleh.
A K2 Space é uma empresa que foi fundada por engenheiros do projeto Dragon, cápsula orbital da SpaceX, explica Karan Kunjur, fundador e CEO empresa. Segundo ele, apesar de nova, é uma empresa com muita experiência nas novas cadeias de suprimento que serão necessárias na constelação meoSphere.
“Essa parceria envia uma sinalização para toda a indústria de que precisamos evoluir e não podemos ficar presos nos modelos do passado”, diz Adel Al-Saleh. A sinalização da SES é que eles continuarão buscando parcerias com outras empresas inovadoras.
Ele aponta que toda a primeira etapa do projeto meoSphere está sendo custeado pela própria SES mas que no futuro outras expansões poderão vir de outras fontes de investimentos.
