Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Brasil enfrenta desafios para concluir universalização de Internet em escolas

O Brasil está próximo de universalizar a Internet nas escolas públicas, mas a execução dos recursos disponíveis ainda enfrenta entraves operacionais. De acordo com dados do Censo Escolar 2025 analisados pela ONG MegaEdu, embora 93% das escolas já tenham acesso à Internet, cerca de 9 mil unidades seguem desconectadas, atendendo aproximadamente 540 mil estudantes.

Apesar de haver cerca de R$ 2 bilhões disponíveis para ampliar a conectividade (recursos previstos na Lei nº 14.172/2023), o principal gargalo está na capacidade de execução por parte dos estados, disse ao TELETIME a diretora-executiva da MegaEdu, Cristieni Castilhos. Mesmo com os entraves, o cenário é de avanço na educação conectada.

Segundo a MegaEdu, cerca de 7 mil das 9 mil escolas ainda desconectadas já estão em processo de atendimento por políticas públicas. Para Castilhos, isso indica que o País está próximo de atingir a universalização. E isso pode ocorrer ainda em 2026.

“Os números nos dizem que a gente está muito perto. É viável ainda neste governo alcançarmos a universalização da Internet em alta velocidade nas escolas públicas”, disse. Ela ponderou, no entanto, que o resultado depende da manutenção do ritmo atual. “É importante que não haja uma desaceleração no ritmo de conexão das escolas”, afirmou.

Entraves
A capacidade de execução por parte dos estados é tema de atenção. “Não existe só um problema. Temos desafios diferentes, desde ter um plano de trabalho aprovado até rodar um processo de licitação, encontrar atas abertas e ter capacidade de oferta da indústria para atender a essa quantidade de dispositivos”, afirma Castilhos.

A executiva lembrou que as atas de registro de preços para aquisição de equipamentos se esgotaram rapidamente, o que obrigou estados a buscarem alternativas. “Um dos desafios hoje é que esses estados possam lançar os seus próprios processos de compra ou encontrar outras atas para aderir”, comentou.

A oferta de equipamentos também se tornou um fator limitante. Segundo Castilhos, há relatos de unidades federativas com dificuldade de encontrar fornecedores, em meio à alta demanda global por tecnologia. “A gente tem alguns estados reportando dificuldade de encontrar fornecedores para computadores, tablets e roteadores”, afirmou Castilhos.

Outro desafio ocorre nas regiões Norte e Nordeste, onde se concentra a maior parte das escolas sem acesso. Nesses casos, além da contratação do serviço, há dificuldades estruturais ligadas à localização e à própria identificação das unidades. “Muitas vezes você chega na escola e descobre que ela tem anexos ou mais salas do que o previsto”, explicou.

Segundo ela, a ausência histórica de conectividade nessas regiões também afetou a qualidade das informações disponíveis. “Se a escola não tinha Internet para reportar, muitas vezes a gente só sabia que ela existia. Agora que alguém está chegando lá é que se descobre a estrutura real”, disse.

Próximos desafios
Embora o acesso esteja avançando, a qualidade da conexão ainda é desigual. De acordo com a executiva, cerca de 70% das escolas têm Internet em velocidade adequada para uso pedagógico, com Wi-Fi disponível nas salas de aula. “Vamos precisar dar esse salto para que não seja só acesso, mas acesso com qualidade para aprendizagem”, afirmou.

Dados analisados pela MegaEdu também indicam que menos da metade das escolas tem computadores em quantidade adequada, o que limita o uso pedagógico da Internet.

Ainda assim, Castilhos avalia que não há risco de “conectividade ociosa”. Segundo ela, a demanda cresce conforme a infraestrutura avança. “Cada vez que chega um upgrade de Internet ou mais equipamentos, as escolas passam a utilizar para novos casos de uso”, disse.

Para a executiva, a universalização do acesso também deve marcar uma mudança de foco nas políticas públicas. “A gente está muito perto de resolver o problema do acesso. O próximo passo será garantir dispositivos e ampliar o uso pedagógico da tecnologia”, afirmou.

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