Huawei e 450 MHz Alliance defendem 450 MHz com setor elétrico
A Huawei e a 450 MHz Alliance, associação que representa os interesses de empresas envolvidas com a faixa de 450 MHz (incluindo fornecedoras de equipamentos de telecom), divulgaram um white paper defendendo a destinação do espectro de 450 MHz para redes móveis privativas para o setor elétrico.
A avaliação é de que a faixa permite uma cobertura abrangente e eficiente em redes de transmissão de energia, atendendo justamente às demandas da “dupla transformação da rede elétrica” – em outras palavras, a digitalização e a transição para fontes renováveis.
O documento foi apresentado nesta quinta-feira, 19, em meio ao evento UTCAL Summit 2026, no Rio de Janeiro. O white paper sustenta que a rede de distribuição (última milha entre a rede principal e os usuários finais) carece de digitalização e necessita de “requisitos extremamente altos e abrangentes” de telecomunicações.
Nesse contexto, as redes sem fio privativas se mostram “uma das melhores soluções para superar os gargalos de comunicação”, em função das vantagens de segurança, confiabilidade, baixa latência, eficiência em conectividade e suporte a múltiplos serviços (controle, coleta de dados, operação em manutenção e provisionamento).
Especificamente sobre os 450 MHz, o relatório técnico ressalta que a faixa “é adequada às características de amplas áreas de cobertura da rede de distribuição”, citando que uma única estação rádio base (ERB) tem capacidade para “cobrir uma área de vários quilômetros”, o que reduz os custos de implantação da rede privativa.
Além disso, por ser uma faixa de frequência padronizada com especificações do 3GPP, conta com um ecossistema de dispositivos atendido por fabricantes nacionais e internacionais.
Outra vantagem dos 450 MHz para o setor elétrico é a baixa latência, “no nível de milissegundos e suportando o acesso simultâneo de um grande número de terminais” – característica considerada relevante para atividades de controle, automação, isolamento de falhas e coleta de dados.
“Considerando a ampla cobertura das redes de distribuição, as soluções de comunicação caracterizadas por faixas de baixa frequência, pontos de frequência padrão e um ecossistema maduro tornaram-se a escolha preferencial para implantação”, afirma o white paper.
“A solução de comunicação de 450 MHz se destaca por sua significativa vantagem em cobertura de baixa frequência, atributos de ponto de frequência padrão, uma cadeia industrial bem estabelecida e excelente adaptabilidade aos diversos serviços das redes de distribuição, tornando-o uma das melhores escolhas para redes de comunicação sem fio dedicadas no setor de energia”, complementa.
Leilão
O documento reforça a coro de entidades como a Utilities Telecom Council América Latina (UTCAL) e concessionários de energia contra um eventual leilão da faixa de 450 MHz.
A Anatel previa licitar a faixa para o Serviço Móvel Pessoal (SMP) ainda em 2026, mas o presidente de agência, Carlos Baigorri, já reconheceu que, em função dos trâmites regulatórios, não será possível concluir todo o processo este ano.
