Interação com o WhatsApp é prioridade para ElevenLabs, diz country manager
A ElevenLabs considera a sua recente integração de voz agêntica com o WhatsApp como uma das suas prioridades para 2026. Brunno Santos, country manager da companhia, revelou que isto acontece por perceberem que o uso do mensageiro no país é bem característico, assim como pela demanda das empresas.
“O brasileiro envia quatro vezes mais mensagens de áudio do que qualquer país do mundo. Então, a voz é fundamental. E as empresas perceberam que seus clientes estão enviando áudio, mas a resposta está sendo em texto. O que é um desengajamento”, disse.
O executivo confirmou que a integração entre ElevenLabs e WhatsApp está em implantação em uma série de empresas, mas já está em uso por uma operadora latino-americana: “Todas as vezes você manda um áudio de WhatsApp (para esta operadora), a resposta vem em um áudio sintético da ElevenLabs”, detalhou o executivo, sem poder revelar o nome do cliente.
Durante o ElevenLabs Première Day nesta quinta-feira, 19, Santos afirmou que a companhia prioriza:
Soluções específicas para setores como bancos, saúde e educação;
Desenvolvimento da comunidade;
Atuação com responsabilidade social e ética, uma vez que está em conformidade no Brasil.
Outra solução que está no radar da companhia é a verificação de idade e estimativa de faixa etária para plataformas, uma vez que o ECA Digital foi sancionado na última terça-feira, 17: “Nós entendemos que as possibilidades no ponto de vista de atendimento ao cliente ainda estão no estágio inicial de maturidade. Isso traz uma janela de oportunidades bem significativa para a gente. Ainda não exploramos essa frente, mas temos interesse em trabalhar junto com as autoridades para ter uma solução específica, até porque a voz é única. Não deixa de ser o seu DNA e o seu DNA vocal, ele acaba sendo o único que pode ser utilizado nessa frente”, completou.
Vale lembrar, um relatório divulgado também na quarta-feira pelo Nic.br revelou que nenhuma das 25 principais plataformas e serviços digitais que atuam no Brasil usam a voz como forma de checagem de idade. Checagem por vídeo, selfie e documento são os mais recorrentes.
ElevenLabs na América Latina
A ElevenLabs está no Brasil como um laboratório de pesquisa e plataforma em inteligência artificial por voz há cerca de oito meses. Santos explicou que a América Latina é estratégica para a sua empresa, inclusive relatou que abriu um escritório no México e tem um escritório na Argentina. E há planos para mais expansões na região para atender o mercado com vozes adaptadas e regionalizadas.
Importante lembrar, a ElevenLabs recebeu recentemente um investimento de série de D de US$ 500 milhões e passou a ter um valuation de US$ 11 bilhões. Com este capital, o country manager afirmou que a companhia mira no desenvolvimento de vozes mais expressivas com foco em empatia, governança e segurança da informação.
Santos recordou ainda que o Brasil é o terceiro país do mundo com maior tráfego no website da Eleven Labs e está entre os dez principais países em termos de tráfego orgânico, isso inclui não apenas o B2B, mas a sua frente B2C: o app ElevenReader (Android, iOS) que permite ouvir PDFs e sites como podcasts, inclusive com vozes de personalidades como Cid Moreira.
Atualmente, a companhia oferece a possibilidade de criação de vozes nativas em diversos idiomas e um marketplace com 11 mil vozes sintéticas prontas para serem usadas por empresas em atendimento agêntico e até em campanhas de mídia e publicidade. Muitas dessas vozes estão em português. Dito isso, o executivo confirmou que pretende lançar mais vozes icônicas brasileiras e mais vozes adaptadas no app e marketplace.
Casos de uso
Entre as empresas brasileiras que já usam o ElevenLabs, uma delas é a Starya.IA, uma companhia especializada em orquestração de agentes para operações reguladas, como saúde e seguros. Com a plataforma, Vinícius Reis, fundador e CTO da Starya.ai, afirmou que montaram uma central de atendimento de voz com IA capaz de operar até 25 mil chamadas por dia.
Outro caso de uso é da Synergy.tech, uma empresa de desenvolvimento de software que utiliza a IA no processo de humanização para cobrança. A partir do uso da ElevenLabs, a empresa implementou bots com IA generativa de negociação de dívidas que tiveram resultados superiores ao primeiro quartil das operações tradicionais, superando os bots determinísticos tradicionais, disse Alan Santos, diretor de inovação da Synergy.tech.
Um último caso apresentado no evento foi da Fuzzr. Esta startup de produção de áudio publicitário já usa a IA para criar 4 mil áudios por mês. De acordo com seu fundador e CEO na Fuzzr, Felipe Colenci, a utilização de IA permitiu reduzir de semanas para a horas a entrega de 300 áudios para campanhas em carros de som.
