Sexta-feira, 3 de Abril de 2026

Brisanet vê torres próprias valendo mais que a companhia e risco de bolha em data centers

A Brisanet reforçou na call com investidores nesta manhã, 19, a tese de que o valor de mercado da companhia não corresponde ao tamanho de sua base de ativos de infraestrutura. Em teleconferência de resultados, o CEO José Roberto Nogueira afirmou que a operadora está subavaliada na Bolsa, sustentou que a malha de torres próprias valeria mais que a empresa e disse ver risco de excesso de investimentos em data centers nas capitais.

Na conferência, o executivo pediu aos analistas que observassem o “modelo de negócio” da companhia e o peso da infraestrutura construída nos últimos anos. “Hoje, as ações da Brisanet estão muito subavaliadas”, afirmou. A seu ver, o mercado não está incorporando adequadamente a rede implantada pela operadora. “Basta ver o quanto vale a Brisanet e em relação até ao ativo, essa rede de vários bilhões que a Brisanet tem de equipamento investido, e isso não está sendo avaliado”, reclamou.

Papel das torres na tese de valor
A fala mais direta veio quando Nogueira tratou da estratégia de expansão móvel. Segundo ele, a companhia repete no Centro-Oeste o mesmo modelo adotado no Nordeste, com construção de infraestrutura própria.

De acordo com o executivo, a Brisanet já tem quase 2,5 mil torres. “A Brisanet pode ser considerada já uma torreira. Se a Brisanet fosse vender a empresa como se uma torreira, já valia bem mais do que o valor da companhia [em bolsa] de hoje.”

Data centers: momento de cautela
Nogueira detalhou sua visão para data centers e processamento distribuído. A Brisanet já opera uma base relevante de estruturas com padrão semelhante ao de mini data centers, usada hoje para sustentar sua rede e aproximar conteúdo do usuário final. “São 280, já se aproximando de 300, mini data centers”, declarou.

Segundo ele, esses sites são próprios, conectados por múltiplas rotas de fibra e com redundância operacional. “É um terreno que é da companhia, onde chega sete ou oito cabos de fibra por várias estradas de trajetos diferentes, equipamento com total robustez, ar-condicionado com precisão e redundância, geradores, segurança”, afirmou. Também disse que parte dessas estruturas já abriga servidores de plataformas de conteúdo. “Em mais de 20, 30 endereços desses, já estão os servidores do Google, do Facebook, do Netflix, do Google Play.”

Apesar disso, a empresa não pretende, neste momento, abrir uma nova frente de investimentos voltada à exploração comercial de data centers. Para ele, o mercado atual está concentrado em grandes projetos nas capitais, o que pode resultar em sobreoferta. Nogueira citou Fortaleza para ilustrar esse movimento e disse que o volume de projetos anunciados pode gerar distorção. “Na nossa visão, pode ter até uma bolha, um investimento muito grande, muito equipamento para ser ofertado e não ter esse consumidor.”

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