Domingo, 5 de Abril de 2026

Desktop suspende M&As e expansão de rede; foco é geração de caixa

A Desktop fechou a torneira para fusões e aquisições (M&A) no mercado de banda larga, não pretende pôr em prática projetos significativos de expansão de rede e vai manter a postura mais seletiva na ativação de clientes. O foco é fortalecer a geração de caixa.

A estratégia foi comentada pela diretoria do provedor paulista em conferência com analistas financeiros nesta quarta-feira, 18, após a divulgação dos resultados de 2025 na véspera – ano em que a empresa avançou em rentabilidade, apesar de queda de 23% no lucro.

“Neste cenário de juros elevados, entendemos que a melhor estratégia é reforçar a geração de caixa. É isso que estamos entregando e é isso que vamos continuar buscando no futuro próximo”, afirmou Denio Alves Lindo, CEO da Desktop.

Seletividade
O diretor de Vendas e Marketing, André Falcão, destacou que a redução no ritmo de aquisição de clientes (a carteira teve o incremento de apenas 10 mil acessos no quarto trimestre e de cerca de 77 mil no consolidado de 2025) se deve a uma decisão estratégica.

Na prática, a Desktop busca “clientes com perfil melhor” justamente para favorecer a geração de caixa, tendo em vista que a ativação de assinantes demanda capital significativo por parte dos prestadores de banda larga.

“Essa dinâmica tem contribuído para melhorar a qualidade da base de clientes, que já se reflete em indicadores de inadimplência mais saudáveis ao longo dos últimos meses, além de melhorar a eficiência na aquisição. Como resultado, tivemos um avanço contínuo das vendas digitais, que atingiram 63% das vendas totais, um aumento de sete pontos percentuais com relação ao quarto trimestre de 2024”, explicou o diretor.

Falcão ainda ressaltou que, para manter o crescimento da receita, a empresa passa a apostar em telefonia móvel, aceleração dos serviços corporativos (B2B), redução de ofertas e ampliação do “mix de vendas para planos mid e high end”.

Complementando a estratégia, o diretor Financeiro, de M&A e Relações com Investidores, Bruno Leão, frisou que “não faremos expansão de rede” e descartou, por ora, aquisição de provedores.

“Dado o cenário macroeconômico mais desafiador, a avenida inorgânica não está sendo priorizada. O foco é total em gerar mais caixa”, asseverou Leão, em resposta ao TELETIME.

Negociação com a Claro
Na conferência com analistas, o CEO da Desktop preferiu não dar detalhes sobre o andamento das negociações em torno de uma eventual venda do provedor para a Claro. Denio Alves Lindo apenas sugeriu que as conversas prosseguem.

“Como já disse em outras ocasiões, estamos sempre abertos a analisar oportunidades que possam vir a ser positivas para a companhia e seus acionistas. Mas, especificamente com relação à Claro, ainda não temos nada de concreto a reportar”, disse o CEO.

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