Quinta-feira, 2 de Abril de 2026

Executivas alertam para efeito do Redata nos data centers

A definição sobre o Redata está sendo aguardada por investidores antes de decisões de alocação de capital em data centers no Brasil, afirmou Roberta Aronne, head de Legal, Compliance e Riscos da Terranova, durante painel realizado no Capacity LATAM. No debate, executivas do setor também apontaram energia, conectividade internacional e previsibilidade regulatória como fatores centrais para a expansão da infraestrutura digital na América Latina.

Participaram da conversa Crislaine Corradine, Chief Business Strategy Officer da Elea Data Centers; Roberta Aronne, Compliance & Legal da Terranova; Ivete Novak, responsável pelas operações de data centers da Microsoft na América Latina; Natalia López, CEO da Associação Chilena de Data Centers; Cynthia Machado, diretora de procurement da V.tal e Tecto; e Xiomara Ayure, líder de procurement da Odata/Aligned.

Ao tratar do ambiente de negócios no Brasil, Roberta disse que a proposta de incentivos para data centers passou a integrar a análise de investidores que avaliam projetos na região. “O setor inteiro está olhando para o Redata. Muitos investidores estão aguardando uma definição antes de tomar decisões de alocação de capital no país”, afirmou.

Redata entra na disputa regional por capital
A fala da executiva situou o Brasil em uma disputa regional por novos projetos de infraestrutura digital. Segundo Aronne, a Terranova considera os aspectos jurídicos e regulatórios antes de decidir onde implantar novas unidades. Ela afirmou que a empresa já possui projetos no México e avalia iniciativas no Brasil e em outros países da região. No caso mexicano, citou como fatores relevantes a proximidade com o mercado norte-americano e a disponibilidade de energia. No Brasil, o foco dos investidores está na definição do ambiente regulatório e tributário para a expansão do setor.

Natalia López afirmou que a competição entre países latino-americanos deve se intensificar. “Os países da região vão competir para atrair esses investimentos. Para isso, precisam oferecer segurança jurídica, políticas energéticas e estratégias digitais claras”, disse.

IA amplia demanda por energia e conectividade
A expansão da inteligência artificial também foi apontada como vetor de pressão sobre a infraestrutura digital. Xiomara Ayure afirmou que o avanço dessas aplicações mudou o foco das negociações no setor. “Hoje todas as negociações e o foco estão em IA”, declarou.

Segundo ela, o desenvolvimento dessa infraestrutura depende diretamente de energia, preferencialmente renovável, e de conectividade internacional, com destaque para cabos submarinos. Roberta acrescentou que a disponibilidade de terrenos e a oferta de mão de obra qualificada também entram na análise dos investidores. “Hoje a América Latina reúne fatores que atraem investimentos: disponibilidade de terra, energia, conectividade e mão de obra qualificada”, afirmou.

Acesso à energia ainda impõe demora
Crislaine destacou que a conexão à rede elétrica e os processos de liberação ainda avançam em ritmo mais lento na América Latina do que em outros mercados. “Na América do Norte, um processo pode levar três ou quatro meses. Aqui ainda gastamos nove, dez ou até onze meses”, disse.

Ivete Novak complementou afirmando que a região dispõe de recursos renováveis relevantes, mas que a conversão dessa vantagem em novos projetos depende de maior agilidade nos processos de licenciamento e infraestrutura de suporte.

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