Resiliência da infraestrutura crítica no foco da Anatel
A resiliência da infraestrutura crítica digital passou a ganhar mais espaço no discurso da Anatel. Na abertura do Capacity Latam, realizada nesta terça-feira, 17, em São Paulo, o superintendente executivo da agência, Gustavo Santana Borges, afirmou que o Brasil concluiu um ciclo de cerca de 30 anos voltado à expansão da infraestrutura de telecomunicações e entra agora em uma etapa centrada em redundância, atração de investimentos e capacidade de resposta a falhas.
Ao reconstruir a trajetória do setor, Borges lembrou que, há três décadas, o desafio era ampliar o acesso à telefonia. Naquele período, disse, o serviço era restrito, caro e não alcançava todo o território nacional. A partir da privatização e da criação da Anatel, o país passou a ampliar a infraestrutura, primeiro com a telefonia fixa, depois com a mobilidade e, mais recentemente, com a banda larga.
Hoje, afirmou, o cenário é outro. “Nós temos 4G em todos os municípios do Brasil. O 5G será implantado até 2030 em todos os municípios do Brasil”, disse.
Fim de um ciclo
Na avaliação do superintendente, o ciclo de expansão básica da conectividade foi cumprido, ainda que persistam desafios em áreas rurais e em regiões com maior dificuldade logística. “Mas o que eu queria mesmo concluir é que nós estamos encerrando um ciclo. Aquele ciclo de levar a infraestrutura para o Brasil, colocar o Brasil em uma situação moderna, ela foi cumprida”, afirmou.
Borges associou esse processo também ao avanço da fibra óptica. Lembrou que, há pouco mais de uma década, a Anatel ainda recebia muitas demandas ligadas à transição do ADSL para redes de fibra. Agora, disse, o país já conta com uma malha extensa, embora ainda haja objetivo de política pública de ampliar essa infraestrutura para mais municípios.
Ele citou ainda o projeto Norte Conectado, executado no contexto das obrigações do edital do 5G, como exemplo de interiorização da infraestrutura. “Esse projeto do norte conectado, ele pega a nossa ideia de cabos submarinos e passa pelos rios da Amazônia”, afirmou. Na fala, acrescentou que essa malha poderá futuramente contribuir para conexões em direção ao Pacífico e para maior integração latino-americana.
Infraestrutura crítica e resiliência
Se o primeiro ciclo foi marcado pela expansão da conectividade, o próximo, segundo Borges, será orientado pela necessidade de resiliência. Para ele, a transformação digital ampliou o peso econômico e social das telecomunicações e dos serviços apoiados nessa infraestrutura.
“Hoje o ecossistema digital é um setor específico”, disse. Na sequência, afirmou que a interrupção de aplicativos e plataformas já produz impacto nacional. “Quando para o WhatsApp, tem um caos nacional. Quando para o Pix, você tem um caos nacional”, declarou.
Por isso, defendeu a ampliação da diversidade de ativos e rotas. “Precisamos, portanto, pensar além da expansão de conectividade, pensar em resiliência”, afirmou. E detalhou o que entende por essa agenda: “Quanto mais data centers, melhor. Quanto mais cabos, melhor. Quanto mais diversidade, melhor. quanto mais distribuição geográfica, melhor”.
Redata e ambiente de investimento
Na fala de abertura, o superintendente vinculou essa nova etapa à formulação de políticas públicas voltadas a previsibilidade regulatória e atração de capital. Ele mencionou diretamente a política para data centers e cabos submarinos em elaboração no MCom, além do regime especial em discussão no Congresso.
“Também torcemos para que o Redata seja logo resolvido, porque traz também uma previsibilidade e uma capacidade de atração muito importante”, afirmou.
Borges também disse que a América Latina reúne condições para captar investimentos, tanto por seu mercado consumidor quanto pelo espaço para ganhos de produtividade. Para isso, defendeu políticas públicas que enfrentem problemas concretos e ajudem a consolidar um ambiente favorável à implantação de nova infraestrutura crítica digital.
