Domingo, 5 de Abril de 2026

Ericsson: reaquecimento do mercado de redes depende de novas aplicações

Uma das principais fornecedoras globais de redes de acesso para telefonia móvel (RAN), a Ericsson avalia que um reaquecimento que reverta a estagnação do mercado dependerá do desenvolvimento, pelas operadoras, de novos casos de uso e aplicações de negócios.

O cenário foi abordado nesta sexta-feira, 13, por Rodrigo Dienstmann, presidente da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. “Os novos casos de uso vão puxar investimentos, então nós continuamos otimistas para o longo prazo”, disse o executivo, em coletiva com jornalistas brasileiros.

Dienstmann observou que o mercado de RAN passa por retração no caso da América Latina, após onda inicial de investimentos 5G com pico em 2024. “Isso aconteceu no Brasil, aconteceu no Chile. A Argentina está no contraciclo, porque lançou agora e deve ter o pico nesse ano, mas o tamanho do mercado não é tão significativo”, avaliou.

A retração em RAN seria reflexo de redução na intensidade de investimentos das teles que pode não ser passageira, entende a Ericsson. Para Dienstmann, as operadoras de telecom se tornaram empresas mais seletivas, com escrutínio muito maior sobre o potencial de localidades antes de realizarem investimentos em novas redes.

“De onde vem essa limitação? Do fato que elas não conseguem achar receitas novas no modelo de negócio atual”, analisou o executivo da Ericsson. “As operadoras ainda vendem pacotes de GB […] e não estão ainda explorando as capacidades avançadas do 5G. A nossa crença na indústria é que as operadoras vão criar novos modelos de negócio”.

Uma ilustração do que seria possível veio no Super Bowl de 2026. Com ajuda de recursos avançados do 5G, as teles norte-americanas ativaram no evento aplicações como transmissão de vídeo em alta resolução com ondas milimétricas, qualidade garantida para terminais de pagamento e mesmo a oferta – pela AT&T – de um “super boost” de dados no Levi’s Stadium, relatou Dienstmann.

Apostas avançam lentamente
Na conversa com jornalista, o executivo também reconheceu que algumas das apostas da indústria estão avançando em ritmo mais lento do que o esperado. Seria o caso do 5G standalone, de redes privativas baseadas em 5G, do adensamento de estações com ajuda de small cells e mesmo do desenvolvimento do mercado de APIs abertas.

Por outro lado, a empresa também reportou maior interesse do mercado brasileiro pela ativação do 5G no campo e contratos (ainda não divulgados) com operadoras locais para redes privativas 4G/5G no setor portuário.

O comando da Ericsson no Cone Sul da região ainda afirmou que a empresa está ganhando market share na América Latina na disputa com a Nokia, apesar de perda de contratos recentes (como um com a TIM). Já a Huawei estaria crescendo em ritmo mais veloz na região.

IA
Outro elemento que deve impactar de forma impactante as redes é a ascensão da inteligência artificial (IA), entende a Ericsson. Rodrigo Dienstmann indica que o papel das teles na exploração deste mercado ainda precisará ser definido, mas que haverá oportunidades de negócios em segmentos como inferência de borda.

Além de redes para IA, a empresa também destaca que será necessária a aplicação de IA no gerenciamento das redes, que no futuro poderão operar de forma autônoma. Neste novo modelo operacional das teles, modelos de IA que conheçam o contexto de telecom serão necessários, avalia a Ericsson.

Algo que a empresa já está apostando é em uma camada para controle das políticas de atuação da IA sobre as redes, afirmou Andréa Faustino, CTO da empresa para o Cone Sul da América Latina. Esse nicho de mercado foi um dos explorados pela fornecedora durante o Mobile World Congress (MWC) de 2026, realizado neste mês na Espanha.

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