Domingo, 5 de Abril de 2026

SES prepara nova abordagem tecnológica para futuras constelações

Não é o fato de ser uma das mais tradicionais e estabelecidas operadoras de satélite que a SES não esteja olhando novos horizontes, em um mercado que passa por uma transformação profunda. E um ponto de guinada relevante deve acontecer até o final da década. Segundo Ken Takagi, Diretor de Estratégia, Comunicações e Projetos Especiais da SES, a empresa entendeu que existe uma mudança significativa nos paradigmas do mercado e já está com outra abordagem para as futuras constelações: controle da cadeia de suprimentos, flexibilização dos modelos, uma cadeia mais barata e eficiente. Segundo ele, a SES está finalizando o projeto de uma nova constelação de órbita média (sobre a qual ele ainda não pode dar muitos detalhes) com previsão de lançamento “nesta década”. Ainda de acordo com Takagi, que conversou com este noticiário durante o MWC 2026 em Barcelona, trata-se de um “projeto sério para a empresa”.

Para acelerar o desenvolvimento e reduzir custos, a empresa está aproveitando o conceito de “new space”, que envolve “novas empresas que surgiram capazes de produzir equipamentos e tecnologias de satélite de forma mais barata e eficiente”. A SES já firmou parceria com a K2 Space, uma startup fundada por ex-engenheiros da SpaceX, para “começar a construir alguns de nossos satélites para nós” . Normalmente, a empresa atuava com os grandes fabricantes tradicionais de satélites em projetos que tomavam um longo período de planejamento e fabricação. A proposta agora é outra: velocidade, menor custo e inovação.

Em termos de serviços, ele explica que uma das visões da SES é criar uma rede de conectividade no espaço, por meio de links entre satélites (satellite links), que utilizam comunicação por laser, para ser uma espécie de rede carrier-de-carrier no espaço, dando suporte para outras empresas e aplicações espaciais que precisam de conectividade mas não têm como ter alcance global ou grandes constelações.

5G e NTN
Segundo ele, a SES também tem em seu planejamento desenvolvimento de 5G para NTN. “Decidimos há alguns anos que iríamos abraçar proativamente os padrões abertos, particularmente o 5G”, revela Takagi . A empresa já possui um “sistema 5G operacional em nossos laboratórios” e está “testando e demonstrando a primeira versão do 5G NTN via satélite hoje” .

As primeiras aplicações do 5G NTN devem surgir em novas oportunidades de banda larga, diz ele, mas o foco estratégico da SES está nos casos de uso de mobilidade. “Onde vemos o 5G particularmente ajudando é em casos de uso de mobilidade. Então, veículos conectados, carros conectados, frotas de caminhões, agricultura, construção, marítimo…”, lista Takagi . O objetivo é que os usuários tenham “um terminal que possa se comunicar com LEO, MEO, GEO com o mesmo padrão” , garantindo conectividade global e faturamento unificada, diz.

No campo de serviços direto ao dispositivo (D2D), a SES é uma investidora e parceira estratégica da Lynk, explica Takagi. A Lynk é uma pequena operadora D2D em que a SES e a Intelsat tinham posições minoritárias. A colaboração visa “acelerar seu caminho para o mercado e também integrar alguns dos serviços da Lynk em nosso portfólio de produtos”.

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